Turismo Marítimo

As Marinas do Algarve: os caminhos percorridos e o muito que falta fazer

A ligação entre o mar do Algarve e o turismo náutico teve o seu primeiro impulso organizado em 1974, com a abertura da Marina de Vilamoura. Foi necessário esperar 20 anos até surgir outra estrutura de apoio à náutica turística, em Lagos. Nos anos seguintes a rede reforçou-se e hoje em dia a região está dotada de Marinas de elevada qualidade (Vilamoura, Lagos, Portimão e Albufeira), com nível claramente acima da média Europeia. Às Marinas juntam-se os portos de recreio públicos em várias cidades, o que totaliza um total de cerca de 4.500 lugares de amarração para embarcações locais ou externas.

Em termos de qualidade, há efectivamente diferenças entre as infraestruturas privadas e públicas, com algumas excepções. Também as há no que respeita aos serviços de apoio, complementares e turísticos existentes em cada tipo de estrutura náutica. Mais, os portos de recreio públicos, pelas suas características (antiguidade, localização, preços praticados) são mais procurados pelas populações locais que habitualmente não necessitam de tantos serviços turísticos (restaurantes, bares, lojas de material náutico, etc.), de apoio (balneários, lavandaria, etc.) como os turistas que, não conhecendo a cidade ou região, beneficiam largamente da integração de vários serviços dentro, ou na proximidade, da infraestrutura náutica.

Temos, portanto, 2 tipos de estruturas náuticas, com características diferentes e necessidades diferentes de desenvolvimento, tendo em conta o seu objectivo.

Focamos agora as Marinas do Algarve que, com o seu objectivo turístico e de potenciação das actividades náuticas, a sua integração directa ou indirecta de serviços disponibilizados ao utilizador e ênfase no serviço ao cliente, têm uma acção de atracção e multiplicação de negócios, não só estritamente ligados à náutica, mas também de qualquer índole turística.

Daqui decorre que as Marinas têm um potencial enorme de se tornarem polos de desenvolvimento económico das cidades onde se integram e áreas adjacentes.

O sucesso na atracção de clientes para as Marinas e portos de recreio do Algarve tem implicações muito importantes na fixação ou incremento de actividades ligadas à náutica – estaleiros, velarias, fibra de vidro, electrónica, carbono, mecânica, seguros, estofos, carpintaria, etc..

As estatísticas apuradas em 2009 mostram que por cada posto de trabalho existente na entidade gestora da Marina são criados 4,8 postos de trabalho em empresas na envolvente, que completam os serviços oferecidos.

O valor acrescentado para a região, decorrente da procura das Marinas e portos de recreio do Algarve, atinge percentagens entre os 1,5 e os 2%, somando os efeitos directos, indirectos e induzidos, ou seja, não só os efeitos directos sobre as actividades estritamente náuticas, mas também os efeitos indirectos e secundários sobre o emprego, o rendimento e consumo das famílias, etc. (Fonte: “Perfil e Potencial Económico-Social do Turismo no Algarve”, CIITT 2009).

O facto de existir uma rede de Marinas relativamente próximas umas das outras, que permite aos utilizadores fazer percursos diários, em segurança, sem necessidade de planeamento de monta, transformou o Algarve num destino náutico seguro, e com qualidade e diversidade de oferta. Aos postos de amarração construídos somam-se alguns ancoradouros naturais distribuídos ao longo da costa Sul.

Contudo, a região mantém uma capacidade de postos de amarração bem inferior às suas concorrentes Europeias mais directas, casos de Espanha, Malta, Grécia e Turquia, e muito baixa densidade de oferta a Este do cabo de Santa Maria.

Em termos de percepção do destino náutico “Algarve” nos países emissores, nota-se ainda que falta divulgar a região, e também o país, aos mercados mais a Norte, como Alemanha, Escandinávia e Báltico.

No Reino Unido, o principal mercado emissor, e na Holanda, com uma importante percentagem de nautas nas Marinas algarvias, a divulgação acaba por ser feita boca-a-boca. Por este motivo não será tão premente quanto para as zonas da Europa anteriormente indicadas a actuação organizada e “centralizada”, através da Região de Turismo ou outra entidade que consiga coordenar e impulsionar esta divulgação, necessariamente nos mercados de origem.

Distribuição por nacionalidade nas estadias de 9 meses e superiores, em 2007

As Marinas no Algarve contribuem para esbater a sazonalidade do turismo na região, com ocupações elevadas no período entre Outubro e Maio. Além disto, laboram 365 dias por ano, garantindo continuidade de emprego directo e indirecto. As ocupações médias mensais têm uma variação na ordem dos 15 pontos entre o mês mais forte e o mês mais fraco, o que demonstra uma relativa estabilidade anual.

A região do Algarve, pela sua longa história como destino turístico Português, Europeu e mundial, possui infraestruturas turísticas abrangentes e que permitem ao visitante das Marinas ter uma experiência turística completa.

Os excelentes e numerosos hotéis, restauração de qualidade, vários campos de golfe, opções em turismo de Natureza (Ria Formosa, Parque Natural da Costa Vicentina, barrocal Algarvio, oferta cultural variada e permanente, etc.), entre outros, tornam a região um destino completo e permitem a fixação de turistas durante períodos longos, por oposição aos destinos de estritamente “Sol & Praia”.

É impossível não referir o clima excepcional que temos, e que permite aos clientes estrangeiros a utilização das embarcações durante todo o ano, o que é especialmente notório quando há vários clientes que, nos seus países originais, não podem utilizá-las devido a condições extremas, como queda de neve e formação de gelo.

No que respeita aos constrangimentos à vinda ou fixação de mais turistas náuticos no Algarve, e no país, destaca-se a complicada legislação Portuguesa para a náutica de recreio e relativa confusão sobre o que deve ser aplicado às embarcações e navegadores estrangeiros. Persiste uma nuvem de dúvida, que muitas vezes se torna suficiente para afastar os visitantes que, devido a não conseguirem ter informação concreta e precisa sobre os requisitos a cumprir, preferem escolher outro destino para evitar incorrer em multas.

Assistimos muitas vezes a casos de clientes que pedem para lhe ser dada toda a informação sobre os requisitos que têm de cumprir, porque o querem fazer para permanecer no nosso país em total legalidade. Contudo, devido a aparentemente não haver certezas ou, pelo menos, não haver divulgação da informação exacta, sucedem-se os relatos de fiscalizações pelas autoridades que resultam na disseminação de boatos sobre aplicação de multas por incumprimento de regras que só são aplicáveis às embarcações Portuguesas, obrigatoriedade de comprar uma lista de equipamento enorme, etc. Estes factos apenas contribuem para afugentar os clientes e potenciais clientes já que, da mesma maneira que a boa publicidade é feita boca-a-boca, também a má segue o mesmo canal. Em clientes de faixas etárias maioritariamente entre os 60 e os 75 anos, estas más experiências têm consequências ruinosas na destruição do esforço de divulgação e atracção que as Marinas fazem.

 Fontes:

“Estudo sobre o perfil e potencial económico-social do turismo náutico no Algarve” – CIITT, Maio 2009

 

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