Turismo Marítimo

O Porto de Cruzeiros de Portimão: a grande prioridade

A 28 de Maio de 1941, o diário lisboeta “A Voz” consagrou num número especial dedicado a Portimão, que designou como “florescente e laboriosa cidade”.

Permitam-me que transcreve aqui algumas passagens:

“Quanto ao movimento marítimo, também em 1939, entraram no porto de Portimão 302 navios com 193 744 t, 204 dos quais com propulsão mecânica.

A estatística dos restantes portos algarvios demonstra inequivocamente o dinamismo da novel cidade barlaventina. No porto de Lagos, no mesmo ano, entraram 50 navios, com 39 068 t, em Faro-Olhão 140, com 20 257 t e por fim Vila Real 210, com 175 286 t.

A nível nacional, o porto de Portimão ocupava também uma posição cimeira, o quarto lugar. Já no ano seguinte registou o segundo maior rendimento a nível nacional, só suplantado por Matosinhos.

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Mas o intenso movimento no porto encontrava-se condicionado face às suas difíceis condições de navegabilidade. O acesso exterior achava-se impedido “por uma barra com uma disposição natural desfavorável” e identicamente o seu interior estava “muito obstruído por grandes bancos de areia”.

As delicadas condições de navegabilidade não eram recentes e remontavam mesmo a 1815. Apesar de diversas intervenções realizadas até 1941, os resultados nem sempre foram satisfatórios, pelo que urgia uma nova e profunda intervenção.

Porém, apesar de à época já existir um projeto aprovado para as obras da barra e porto de Portimão, estas demoravam em iniciar-se, pelo que, “A Voz” considerava ser a sua execução a aspiração número um dos portimonenses.”

Esta peça é de facto uma ilustração interessante para demonstrar que nunca houve uma preocupação estratégica, visando a expansão, por parte da Administração Central em relação ao Porto de Portimão.

Não deixa de ser sintomático, que passado quase um século, as revindicações de outrora serem as revindicações de agora, no presente relacionadas com o Porto de Cruzeiros de Portimão. Recorde-se que este porto é o único porto de cruzeiros nacional que não foi alvo de qualquer investimento, ao contrário do verificado em Lisboa, com a construção do novo cais de Sta. Apolónia e brevemente do novo terminal; em Leixões, com a construção do novo cais e terminal; no Funchal, com a construção do novo terminal; nos Açores, com a construção das Portas do Mar em Ponta Delgada e do novo cais e novo terminal na Horta.

Os mais recentes dados da indústria de cruzeiros, apontam para números interessantes e que num país à beira mar, urgem olhar com outra atenção, nomeadamente se considerarmos que cada milhão investido na indústria de cruzeiros são gerados 2.42 milhões na economia.

O setor dos cruzeiros a nível internacional tem tido, nos últimos anos, um crescimento muito significativo, tendo a procura aumentado dos 11.1 milhões de passageiros, em 2002, para os 20.9 milhões, em 2012, correspondendo a um incremento de 88%. A adicionar a este crescimento, as tendências internacionais apontam para uma maior procura por novos portos, para uma diversificação de itinerários e para a necessidade de aumentar o número de portos devido à afetação de um maior número de navios de cruzeiros para a Europa e para o Mediterrâneo e à construção de novos navios, na sua maioria de grande porte. Por outro lado, de forma a reduzirem a velocidade dos seus navios e a pouparem custos nos combustíveis, as companhias de cruzeiros estão a definir itinerários com portos cada vez mais próximos para reduzir a duração da navegação.

Em Portimão, de 2007 a 2011 o número de passageiros movimentados no Porto de Portimão cresceu em cerca de 673% passando dos 5.798 passageiros para os 44.841 em 2011.

O Turismo de Cruzeiros tem impactos económicos e de promoção turística. Em termos económicos, o estudo da CLIA Europe aponta para um gasto médio de € 62 por passageiro e € 21 por membro de tripulação num porto de escala. Se considerarmos os cerca de 45.000 passageiros recebidos em 2011, em Portimão, significa que o retorno direto do Porto de Cruzeiros na economia regional ascendeu aos cerca de 2,7 milhões de euros.

Ao nível da promoção turística, verifica-se que estes milhares de visitantes tiveram oportunidade de visitar a região, conhecer a oferta turística, usufruir das diversas actividades e atracções disponíveis e poderão regressar a Portimão ou a outra cidade da região num futuro próximo para umas férias mais prolongadas. De acordo com a associação de cruzeiros norte-americana CLIA (2011), 82% dos cruzeiristas consideram os cruzeiros como uma boa forma para escolha de destinos de férias aos quais poderão regressar novamente, sendo que 35% dos cruzeiristas já regressaram a destinos visitados durante os cruzeiros.

Com este crescimento verificado no Porto de Portimão, seria caso para afirmamos a nossa satisfação, não fosse termos a perfeita consciência que a falta de acessibilidade marítima ao porto limita a entrada de navios de navios de grande porte, apesar do interesse manifestado pelas companhias de cruzeiros.

É consciente destes factos, que reivindicamos um conjunto de obras urgentes, nomeadamente a dragagem e alargamento do Canal de Navegação e Bacia de Manobra, o Prolongamento do cais de acostagem e Aquisição de Rebocador, fazendo com que o potencial de crescimento para o Porto de Portimão seja de 250.000 passageiros anuais, contribuindo para que o retorno direto do porto na economia regional possa ascender a cerca de 15 milhões de euros ao ano. Em apenas dois anos, o retorno gerado ultrapassaria o investimento efetuado.

Desperdiçar as mais-valias para a economia regional que um porto de cruzeiros ampliado e melhorado poderia trazer é ter uma visão redutora e estranguladora da economia e do turismo.

 

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