Território e Ambiente

O Porto de Leixões é a Alma da Economia do Norte

Depois de décadas onde a cicatriz das docas se foi escavando fundo no território e onde cidade e porto protagonizaram um confronto de usos e necessidades, a harmonia entre ambos é notável.

Resolvidos os impactos rodoviários, com porventura a melhor infra-estrutura de acesso portuário do mundo – mais de 4 mil movimentos de camiões deixaram de percorrer a malha urbana-, construída a nova ponte móvel, requalificados os velhos armazéns, sem uso, e redefinida uma nova paisagem interna que fez do porto uma peça de arte movente, Leixões avança para projetos que serão uma marca da Região: o Terminal de Cruzeiros e, o que é tanto ou mais, o Centro de Ciências do Mar.

O Porto de Leixões é, ainda uma das melhores testemunhas das transformações que o País pode operar.

Bem recentemente em Novembro comemorou a passagem de 500 para 600 mil TEUs, uma demonstração de capacidade e querer da economia nortenha. Estes TEUs, que são nossos, dizem bem da alteração de paradigma. Onde antes exportávamos sobretudo produtos de baixo valor acrescentado saem agora – e pela primeira vez na história de Portugal – mais bens que são resultado da inteligência e da criatividade. O que nos permitiram demonstrar que não há nenhum atavismo determinista nos portugueses e que, quando liderados por quem acredita, podemos suplantar os “velhos do Restelo”.

Acontece que estes resultados para a cidade e para a economia de região não são inevitáveis: resultam da articulação com os actores locais, autarcas e empresários, de uma visão de modernidade impulsionada por governantes conhecedores e por uma ambição de fazer melhor que é decorrente de “concorrência” estabelecida entre os portos nacionais.

Num norte que, um a um, viu perder todos os referentes, empresas e institutos, o que mais nos faltava é perder a autonomia do Porto de Leixões.

Será sina. Num país onde o centralismo do “terreiro do paço” afoga toda a iniciativa, sempre que há algo para lá do horizonte do Tejo que se destaca, a tentação é absorver e integrar.

Leixões e Matosinhos ensinaram, bem recentemente, na Europa, como devia ser a relação entre a cidade e o seu porto. Ao contrário de todas as delegações que testemunhavam as guerras surdas entre ambos os serviços, portuário e citadino, a delegação portuguesa ensinou-os como fazer para estabelecer verdadeiras cumplicidades.

O Porto de Leixões é a alma da economia do Norte. A sua performance dá confiança aos empresários e á cidade que o acolhe, pela forma como sabe estar entre os agentes da região.

Pretender levar Leixões para a “vénia” da “Ribeira das naus” é um passo que nem ousamos sequer conceber. Algum dia Portugal deixará de ser pensado ao contrário.


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Comentários   

 
0 #1 Bernardo Neto 01-05-2013 02:44
Excelente artigo/texto crítico e conclusivo por parte do autarca Dr.Guilherme Pinto.

Quem vive no concelho de Matosinhos sabe o quão importante é a economia do mar para a região.
Recentemente tem havido inúmeras obras de requalificação e conservação da orla costeira.

Apoio inteiramente um Portugal focado na economia do mar, na sustentabilidad e e preservação da Natureza.

Bernardo Neto
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