Tecnologias e Sistemas de Informação

Optimização de recursos através da "Hipernet" e dos seus serviços

O FB ou "Facebook" tem actualmente 960 milhões de utilizadores a caminho de um bilião. Como ouvi numa conferência, é a primeira vez na história da humanidade que temos uma população a utilizar um serviço interactivo em "real-time" e com as mesmas regras de usabilidade para todos, o que permite "formar" os utilizadores e dar-lhes uma experiência comum na forma simples e intuitiva como visualizam a informação. Todos percepcionam o "like" da mesma forma e sabem usá-lo, tal como a apresentação de notícias por forma descendente e automática.

Li recentemente que, até 2050, se estima que seremos 9 biliões de habitantes em todo o mundo, com um crescimento exponencial e acrescentando 2 biliões de pessoas durante este período, em particular nos mercados emergentes. Em simultâneo, é previsível que até 2020 a população "digital" irá passar de forma muito acelerada de 1,5 biliões para 5 biliões, aumentando o valor da rede aproximadamente em 12 vezes (segundo a lei de Metcalfe).

É fácil e imediato perceber com esta visão e alinhamento, que a forma como vivemos e trabalhamos vai mudar forçosamente e por diversas razões, incluindo a escassez de recursos para uma população crescente e consequentemente a obrigatoriedade de nos tornarmos eficientes na utilização da água, da energia, do ambiente e dos recursos naturais. Para isto precisamos de tecnologia e da rede e dos seus serviços, maximizando o seu retorno com o menor custo possível.

Na "Bay Area", e presumo que seja uma tendência a estender-se para todas as áreas geográficas, todos os "novos" negócios são suportados por aplicações online e funcionam sobre a rede de serviços existentes. Todas as aplicações, mesmo as de negócio e que são "B2B" ("Business to Business") e não "B2C" ("Business to Consumer"), ou seja para o consumidor, são desenvolvidas para serem suportadas na rede de forma a que todos os potenciais utilizadores destes serviços as possam consumir, sendo clientes directos, parceiros ou "brokers".

Na sequência do nosso trabalho no Transporte Marítimo, dou alguns exemplos para concretizar. O "CRM" ("Customer Relationship Management") vai passar a ter uma componente "social media" integrada, na medida em que quando um cliente (exportador ou importador) telefona para um "carrier", este não só o sabe identificar nos seus sistemas operacionais e financeiros internos ("ERP") mas também com a dimensão da sua informação social na rede (notícias no "Linkedin", "Facebook", "Twitter" e outras) oferecendo-lhe um serviço mais personalizado. Através de utilização de serviços designados por "Big Data" (Análise de dados e "Business Intelligence") é possível utilizar plataformas "online" a baixo custo, que com base num histórico de compras conseguem orientar melhor a oferta em tempo real, definir preços e estimar a procura (forecast). Esta informação é essencial para os "Carriers" e para os "Portos", e outros agentes na cadeia logística. A integração de serviços na "cloud" (os serviços alojados e disponibilizados na "nuvem") vai permitir que os clientes finais (importadores e exportadores) possam ver de forma mais integrada, a menor custo, e com maior rigor e fiabilidade a rastreabilidade de todo o processo logístico da sua carga, e os operadores capazes de lhes fornecer esta informação serão os mais aptos a colaborar na rede. O modelo de negócio passa a ser "neuronal", com "inputs" e "outputs" na rede e com o maior número possível de nós, e não apenas bidireccional numa relação típica cliente\fornecedor, desintegrada com os outros parceiros como os Portos, Terminais, Alfândegas, etc.

O conceito "hipernet" inicialmente referido está relacionado com outro fenómeno a que vamos assistir nos próximos anos, em que se prevê que todos os equipamentos com os quais trabalhamos diariamente (carros, electrodomésticos, ar condicionado, iluminação, outros) vão passar a estar ligados também e de forma automática à internet, prevendo-se o quádruplo do número de equipamentos por pessoa até 2020, atingindo os 50 biliões, e por conseguinte disponíveis para colaborar na rede "inteligente" e participarem nos serviços existentes, mas permitirem também a criação de novos serviços que incorporem estes novos dispositivos.

Por último, o efeito de rede nos fenómenos a que assistimos, tal como a crise financeira despoletada nos EUA em 2008, revela e demonstra o seu funcionamento, o que traz desvantagens em acontecimentos negativos porque afinal ninguém está imune à sua propagação, mas por outro traz também vantagens na disseminação de eventos positivos, com a contribuição e colaboração de todos para os desafios a enfrentar.

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