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O Algarve e o Mar: entre velhas e novas tenções

Há duas ideias que perpassam a Estratégia Nacional para o Mar e as orientações sobre a Política Marítima Europeia: é preciso integrar iniciativas e adaptar as orientações aos territórios concretos. Estas duas ideias, da transversalidade da política e da subsidiariedade da sua aplicação, são essenciais para a concretização dos objetivos de política regional.

A política marítima só pode ser eficaz se compreender a evolução dos territórios, se conhecer bem a capacidade dos recursos e se for capaz de comprometer os agentes locais. Dinamizar a economia do mar salvaguardando os recursos e maximizar a qualidade de vida nas regiões costeiras parece ser, pois, o desafio.

Se há matéria que afeta o Algarve são as políticas públicas em torno do mar. Tocam tudo quanto tem a ver com o presente e o futuro da região.          

A economia do mar é onde o Algarve se tem vindo a reencontrar, não apenas na atividade turística de sol e praia, na náutica de recreio e de cruzeiros, mas também nas atividades da pesca, da aquacultura, do sal, das conservas. Estas são áreas onde se tem investido, mais ou menos, na produção, na investigação e desenvolvimento, na promoção.

Estamos num momento de avaliação e de decisão quanto ao futuro, com novos instrumentos de apoio financeiro e um novo ciclo autárquico.

A prioridade deverá ser o ordenamento e a recuperação das zonas costeiras. A pressão a que o litoral tem estado submetido, associado ao facto de ser aqui possível testar modalidades de intervenção mais ajustadas, dá relevância aos planos e projetos em curso. As intervenções do Polis da Ria Formosa e da Costa Vicentina são essenciais, em todas as suas dimensões.

Em termos de infraestruturas públicas, até 2020, a aposta deve ser nos portos comerciais e de cruzeiros, em Portimão, Faro e Vila Real de Santo António. Há, também, alguns melhoramentos a fazer nos portos de pesca e a necessidade de avançar com o porto de pesca de Tavira.

Além disso, as áreas portuárias devem ser pólos de atratividade, integrantes das cidades, usufruídas pelos seus cidadãos e um foco turístico de excelência. A região ganharia com uma nova abordagem no modelo de gestão dessas áreas, numa parceria com os municípios.

Mas este é o tempo para um verdadeiro impulso na empresarialização e na inovação.

É preciso promover novas atividades e empresas inovadoras, em áreas tão diversas como a produção de novos ingredientes alimentares, a produção de espécies novas aquícolas, o desenvolvimento de equipamentos marinhos, para monitorização, segurança e controlo de embarcações, a exploração de lamas marinhas para a utilização em cosméticos e fins terapêuticos, a aquacultura ornamental, o ecoturismo e desportos náuticos.

É preciso valorizar os produtos da pesca e da aquacultura, com uma ideia-chave: “desperdício zero”. O aproveitamento dos subprodutos, o uso de novas tecnologias de congelação e de novas embalagens são decisivos para esse objetivo. Mas há uma outra linha de inovação, a dos novos produtos prontos a cozinhar e a dos novos hábitos alimentares (sushimi e sushi).

Finalmente, há matérias que deveremos aprofundar. Desde logo, os recursos energéticos. Não poderemos evitar uma discussão clara sobre a exploração de gás natural na zona costeira do Algarve. Queremos saber o que está em causa, impactos, riscos e contrapartidas. Relativamente às energias alternativas, temos de conhecer o potencial para exploração de energia a partir das ondas em offshore.

Entre velhas e novas tenções, há muito a fazer. Que o mar nos inspire a ver longe. A ver novos horizontes.

 

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