Portos

Sines é Muito Mais do que um Terminal de Contentores

De facto, Sines e a Administração do Porto de Sines, orgulham-se do seu mais recente Terminal. Mas o Plano de Desenvolvimento da Área de Sines foi concebido no final da década de sessenta com uma ambição mais vasta, a de constituir um elemento relevante, com cariz estratégico, para o desenvolvimento económico do nosso país e para promover o relacionamento comercial externo de Portugal.

O preâmbulo do diploma legal que cria o Gabinete da Área de Sines (Decreto-Lei nº 270/71), é ambicioso no seu propósito de criar um novo pólo de desenvolvimento económico, uma área de implantação industrial concentrada, capaz de constituir um instrumento eficaz de ordenamento do território, envolvendo a região de Lisboa e o sul do país.

Associado a esta visão de desenvolvimento esteve, desde o início, o plano de construção de um porto de águas profundas (um porto oceânico, como então foi chamado), “capaz de receber e servir os grandes navios petroleiros, mineraleiros e graneleiros, que já estão em actividade e cuja utilização se generalizará seguramente na próxima década”.

No início da sua actividade, em 1978, o Porto de Sines foi direccionado para as mercadorias com cariz energético, com uma estabilidade assegurada pela instalação dos principais clientes dos seus terminais, como a Galp, a EDP e a então Companhia Nacional de Petroquímica, na vasta Zona Industrial adjacente ao porto e disponibilizada para esse efeito no início da década de setenta.

No final do Século XX, tornava-se imperioso dar resposta a novos desafios, como o de aliar uma vasta Zona Industrial e Logística a um porto com as características de hub portuário. Um porto que pudesse oferecer todas as valências e com características técnicas de recepção e de escoamento de todo o tipo de mercadorias em operação comercial no mundo e, dessa forma, potenciar o desenvolvimento da instalação de indústrias com novas valências e concretizar o grande objectivo estratégico previsto no Plano inicial.

É essa a resposta que Sines hoje oferece. Um porto com cinco terminais especializados (Terminal de Granéis Líquidos, Terminal Petroquímico, Terminal Multiusos, Terminal de Gás Natural Liquefeito e Terminal de Contentores), com uma vasta área industrial e logística adjacente, dispondo de terrenos já expropriados e geridos pela AICEP Global Parques que lhe permite receber, de imediato, a instalação de novas empresas, de produção e de distribuição.

 Sines construcao do porto

 Sines, construção do porto

Sines ferrovia 

 Sines, ferrovia

 Sines inicio do projecto

 Sines, início do projecto

Sines ZILS

 Sines, ZILS

E uma cidade histórica, em crescimento, a fazer o seu percurso no sentido de uma qualidade de vida sustentável e que convive bem com o seu porto. A sublinhar esta afirmação, refira-se que a APS e a Câmara Municipal de Sines protagonizaram uma permuta de terrenos e a redefinição das respectivas áreas de jurisdição, garantidas através do Decreto-Lei nº 95/2010, com ganhos evidentes para ambas as partes. A cidade e o porto poderão expandir-se, sem conflito, num horizonte de longo prazo.

Os grandes investimentos levados a cabo nos últimos anos no Porto de Sines e na ZILS permitiram criar um cluster petroquímico de grande dimensão, no qual o Porto teve e continuará a ter um papel determinante.

Por outro lado, o Porto de Sines tem actualmente uma posição consolidada no “shipping” mundial de contentores, com serviços directos semanais aos principais mercados transoceânicos. Essa é uma oportunidade para responder a novos desafios, posicionando Sines como um “site” capaz de atrair e potenciar o surgimento de novos investimentos, novos negócios e novos desafios estratégicos.

A sua localização estratégica, situado no cruzamento das principais rotas mundiais, Norte-Sul e Este-Oeste, sem necessidade de desvio, confere-lhe uma vantagem geográfica que a globalização veio potenciar.

As grandes mudanças que actualmente se registam na geoeconomia mundial, a instabilidade junto ao Canal do Suez e o alargamento do Canal do Panamá no segundo semestre de 2014, permitindo a passagem de navios com capacidade até 12.000 TEU, abrem caminho ao surgimento de novas alternativas nas rotas marítimas mundiais, reforçando a posição do Brasil como grande hub portuário do continente sul-americano e reforçando a posição estratégica de Sines.

Para responder a este desafio de afirmação do Porto de Sines como principal porto de entrada de mercadorias na Península Ibérica são fundamentais as acessibilidades terrestres, particularmente ferroviárias. Actualmente, o modo ferroviário já é responsável por cerca de 90% do total das mercadorias transportadas de e para o hinterland de Sines, constituindo já uma das principais plataformas ferroviárias da Península Ibérica com a movimentação de 26 comboios por dia (8 de contentores, 8 de fuel e 10 de carvão).

Sines vista aerea1

A aposta na ferrovia para ligar o porto ao hinterland nacional é, pois, uma solução já consolidada, sendo indispensável e urgente que sejam tomadas as medidas necessárias para garantir que este seja também o modo utilizado nas deslocações para Madrid e para o centro da Europa. A melhoria das acessibilidades rodoviárias em curso e a futura solução para o transporte ferroviário de mercadorias continuam a ser factores da maior relevância para tirar partido de todo o potencial deste projecto.

Um porto para ser competitivo, tem de desenvolver os mecanismos informacionais que permitam a interligação de todos os actores da actividade portuária, públicos e privados, por forma a que a informação flua sem constrangimentos, permitindo que todas as entidades conduzam as suas transacções e possam gerir os seus negócios numa escala global.

A JUP – Janela única Portuária, constitui hoje um instrumento comum dos portos nacionais que permite fazer essa interligação através de um verdadeiro balcão único virtual, localizado nas Administrações Portuárias e que permite tratar em antecipação todos os processos relacionados com a estadia do navio e a movimentação da carga, evitando demoras na operação dos navios em porto e contribuindo para o aumento da eficiência portuária.

Após a implementação com sucesso deste sistema em Sines, o objectivo actual consiste em garantir a sua extensão a toda a cadeia logística de transporte, através da interoperabilidade da JUP com os operadores de transporte terrestre, com destaque para o modo ferroviário, bem como com os operadores logísticos e os portos secos de origem/destino. A integração dos fluxos de informação até aos destinos finais das mercadorias, constitui a base do processo em curso de criação da Janela Única Logística.

O recurso às melhores práticas internacionais no desembaraço das mercadorias e a sua colocação de forma célere e rastreada junto do destinatário final, constitui um ponto-chave para a captação de novos tráfegos, para a instalação de novas empresas na região e no país, por forma a alcançar os grandes objectivos que nortearam o Plano de Desenvolvimento da Área de Sines.

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