Logística

A internacionalização da Transitex

Quando, em 1996, a Liscont decidiu iniciar de forma sistemática o processo de angariação de cargas em Espanha, não existia qualquer experiência relativamente ao mesmo e a livre circulação de mercadorias era apenas uma teoria. A própria organização logística existente na Península Ibérica estabelecia que os operadores de cada país não ofereciam os seus serviços do outro lado da fronteira. Exportador a exportador, contentor a contentor, foi necessário demonstrar que estávamos de facto perante um espaço único e sem obstáculos de modo a possibilitar que as mercadorias descobrissem o seu percurso. Consequentemente, o êxito deste projeto ditou a criação de uma infraestrutura de raiz que se identificasse com o tecido empresarial espanhol, sem perder de vista o objetivo inicial.

O vínculo à Liscont manteve-se até 2007, altura em que o Grupo Mota-Engil adquiriu a Tertir e resolveu subir a participação acionista que a Liscont detinha na Transitex para a Tertir, dando um claro sinal de sintonia com o projeto de internacionalização.

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Em Espanha, foi possível criar dois polos perfeitamente autónomos no que concerne à atuação e objetivos:

  • Os escritórios de Sevilha, Badajoz, Salamanca e Vigo mantêm o objetivo inicial, potenciando o trânsito de mercadorias pelos portos nacionais;
  • Madrid e Valencia são hoje escritórios perfeitamente integrados na oferta logística espanhola tendo nos Portos de Barcelona e Valencia as suas referências.

Sendo uma empresa espanhola de capital português, o imperativo primordial no caminho da internacionalização foi a abertura da Transitex, SA em Portugal!

Aqui começou a aventura a que nos propusemos e cujas premissas se mantêm inalteráveis. As características únicas da estrutura, sendo uma empresa espanhola de capital português, cuja maior delegação se situa precisamente em Portugal, transformam-nos numa empresa verdadeiramente Ibérica, com um mercado, além dos 50 milhões de potenciais consumidores que constituem este espaço, que se estende de forma natural a todos os países lusófonos e América Latina. Desta forma, recusamos o epíteto normalmente atribuído aos nossos operadores logísticos e às empresas portuguesas em geral, condenadas à partida por falta de dimensão, massa crítica e outras designações pouco propícias ao desenvolvimento. Convencionou-se que para sobreviver todos necessitamos de um ter um pequeno negócio âncora ou descobrir nichos de mercado onde possamos fazer a diferença e justificar a nossa existência.

Este não é o objetivo da Transitex!

Queremos afirmar-nos enquanto operador global num mercado cada vez mais globalizado. No Hemisfério Sul, em África e na América do Sul, temos vindo a construir uma estrutura sólida e sustentada que nos confirma assertividade na decisão relativamente aos mercados em que temos apostado.

Salvo as incursões a Leste, com os escritórios em Vilnius e a representação comercial em Moscovo, a Transitex mantém-se firme nos propósitos iniciais desenvolvendo a sua atividade em África:

  • Angola;
  • Moçambique;
  • África do Sul;
  • Zimbabwe.

Nas Américas:

  • México;
  • Peru;
  • Colômbia;
  • Brasil.

Temos em curso a abertura da Transitex Chile, delegações comerciais no Malawi e na Zâmbia; dinamizando a nossa aposta no Leste com a abertura da Transitex Polónia.

Estamos a reavaliar a nossa presença na China, onde temos um agente responsável pela carga contentorizada em regime de exclusividade. A China é o paradigma da nossa atividade. Sempre que abrimos um novo escritório, estamos a potenciar a nossa cota de mercado nas relações comerciais entre os novos mercados e Portugal, no entanto somos confrontados com o facto da China ser o principal parceiro de todos os mercados onde nos encontramos. Quanto maior for o nosso crescimento maior será a necessidade de aí termos uma presença que responda eficazmente às especificidades dos pedidos dos diversos mercados onde estamos presentes.

Embora com alguma representatividade no transporte aéreo e carga convencional (muito potenciado pelo Grupo em que nos inserimos), o nosso core está assente nos contentores, nas cargas completas e fracionadas (FCL e LCL). Distinguimo-nos pela capacidade de oferecer door/door nos mercados onde estamos presentes, alguns deles tradicionalmente complexos e aos quais trazemos valor acrescentado.

Apesar de subcontratarmos grande parte dos serviços que prestamos, temos um ativo que constitui a nossa maior riqueza: o grupo de colaboradores que forma a Transitex. O Know how, dedicação, comprometimento e identificação com os objetivos, tem sido fundamental para o desenvolvimento da empresa. Em todos os mercados onde estamos presentes temos colaboradores portugueses e espanhóis que passaram antes por um dos escritórios ibéricos e que nos garantem, em qualquer local onde estejamos, a partilha dos pressupostos que norteiam a empresa. Esta estrutura humana obriga-nos a um processo de recrutamento contínuo tendo para isso o apoio de diversas instituições de ensino na área da logística e gestão, nomeadamente em Espanha, que nos enviam de forma regular potenciais colaboradores que, após um ano em Lisboa, são deslocados em função das necessidades que vão surgindo.

Assim, e após ter identificado dois pilares fundamentais do processo de internacionalização que caracterizam os nossos 10 anos de existência: definição de objetivos e gestão de recursos Humanos, falta mencionar a importância atribuída ao ID, que nos permite a velocidade da informação necessária ao sucesso da operação. Com colaboradores em 15 países e em mais de 20 escritórios, trabalhando sobre a mesma base de dados, tem sido um desafio ao longo desta década conseguir manter um sistema operativo que responda de forma eficaz às nossas necessidades. O esforço desenvolvido tem sido altamente recompensado pela diferença que conseguimos fazer em África e mesmo na América Latina, assegurando o seguimento das cargas ao longo de todo o processo.

Deste modo, no que depender de mim e de toda a equipe que dá vida a esta empresa, podem continuar a contar com a Transitex como exemplo de internacionalização.

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