Competitividade Empresarial

A internacionalização da economia do Mar

Inicialmente foi a pesca a actividade que fez com que se desse atenção ao mar enquanto factor económico. Mais tarde, as trocas comerciais e o transporte marítimo.

Portugal foi o precursor da globalização, ao começar, aquando da sua chegada à Índia, a usar o mar como via de transporte e meio de comunicação transoceânicos, o que fez com que adquirisse o estatuto de primeira potência marítima da época moderna.

Estando entre os países com uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas (4.ª da Europa e 18.ª do mundo), fruto da sua posição geográfica privilegiada, e sendo a internacionalização um imperativo para as empresas portuguesas, em especial as de pequena e média dimensão, é essencial explorar as suas inúmeras valências de geração de riqueza e recursos energéticos, via privilegiada de comunicação com o exterior, através da exportação de produtos portugueses e abastecimento de matérias primas.

A AIDA tem constatado que os empresários estão, cada vez mais, atentos a esta realidade e, actualmente o conceito cluster do mar, pela sua amplitude, está a dar lugar à designação hiper-cluster do mar, entendido como a articulação de todas as actividades económicas relacionadas com o mar, caso da pesca, energia das ondas, indústria transformadora, turismo, desportos náuticos, construção e reparação naval, portos, logística e transportes marítimos.

Esta foi uma das principais conclusões retiradas do II Fórum Empresarial da Região de Aveiro, promovido pela AIDA em 2010, que teve como tema “As PME e o Crescimento da Economia”.

Portugal tem de tirar o maior partido das vantagens de que dispõe devido ao facto de ser um país periférico da União Europeia e, consequentemente, aquele que se encontra mais próximo dos continentes africano e americano.

Sabe-se, porém, que esta vantagem é esbatida pelo elevado custo de transporte para os mercados centrais da Europa.

A questão tem merecido grande atenção por parte da AIDA que, em parceria com a APA-Administração do Porto de Aveiro desenvolveu o projecto PROPOSSE - Promoção do Transporte Marítimo de Curta Distância, co-financiado com fundos FEDER, no âmbito do Programa de Cooperação Transnacional do Espaço Atlântico 2007-2013, projecto esse liderado pelo Porto de Gijón (Espanha) e que conta, ainda, com a Câmara de Comércio de Oviedo, o Porto de Poole (Reino Unido), o Porto de Cork (Irlanda) a Marina Southeast (Reino Unido), Porto de Le Havre (França) e o CRITT – Transport & Logistic (França).

O objectivo do PROPOSSE foi, precisamente, ligar o porto de Aveiro à Europa, através de duas linhas marítimas regulares, em que os camiões embarcam com as mercadorias que distribuem no destino, depois do desembarque, retirando-os assim das estradas europeias.

O projecto compreendeu o transporte marítimo de curta distância (TMCD ou short sea shipping), através da criação de duas linhas de periodicidade bissemanal: A linha A, concebida para ligar Aveiro aos portos de Gijón (Espanha) e Le Havre (França), com retorno a Aveiro; A linha B, que estabelece a ligação entre os portos de Cork (Irlanda), Poole (Reino Unido), Gijón e Aveiro, com retorno a Cork, escalando Gijón, o que permitirá às empresas exportadoras da região reduzir custos e aumentar as exportações.

De facto, e sendo os custos de transporte um dos factores que mais onera os produtos portugueses, importa minimizá-los, de forma a ganhar capacidade competitiva, já que o transporte marítimo assume um papel de grande importância no contexto da economia mundial, por ser responsável pelas maiores percentagens, quer em quantidade quer em valor, de mercadorias transportadas na totalidade do comércio internacional.

Neste contexto torna-se fácil perceber também a importância do sector portuário para o futuro da economia nacional, e quão decisiva será para o mesmo a decisão que se venha a tomar sobre a sua gestão, que em muito influenciará a competitividade das empresas exportadoras portuguesas.

Há, efectivamente, muito a fazer para que o mar, este activo natural seja plena e devidamente valorizado enquanto inegável motor de crescimento da internacionalização da economia portuguesa, em especial das suas exportações.

Não se pode esquecer, nomeadamente, que o transporte marítimo pressupõe em geral cadeias multimodais de transporte, particularmente rodo-marítimas, o que implica a existência e adequação das devidas infra-estruturas, designadamente a ampliação dos portos e a melhoria das ligações com o interior (hinterland).

Caberá às empresas explorar todas as oportunidades de negócio oriundas do mar (desde o turismo à exploração da energias renováveis, como a eólica, fotovoltaica, térmica e das ondas) e ao Estado criar as devidas condições para tal, através da adopção de políticas de incentivo ao investimento privado e das infra-estruturas que permitam o seu pleno aproveitamento.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

Threesome