Competitividade Empresarial

Lisboa, uma economia que também é marítima

Pensar estrategicamente a economia urbana numa cidade como Lisboa, é considerar não só todo o seu potencial instalado, como ser capaz de construir uma visão proactiva e de futuro, e pensar aquelas que são as actividades e áreas de desenvolvimento capazes de trazer mais-valias à cidade, gerando em permanência, investimento, valor e emprego numa contínua busca de vitalidade, talento e energia criadora.

Considerar, por isso, a importância de agregar actores estratégicos e desenvolver um conjunto vasto de acções em torno da Economia do Mar na cidade, é não só dar corpo renovado à ligação ancestral e intrínseca de Lisboa à actividade fluvial e marítima, mas ajudar a capacitar um sector de enorme potencial para a cidade e que hoje se configura de enorme significado

Segundo os últimos indicadores económicos disponibilizados pelo INE em 2011, a percentagem de empresas directa e indirectamente ligadas à “Economia do Mar” na Região de Lisboa, representava cerca de 28,5% do setor do mar a nível nacional. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) do setor do mar na Região de Lisboa, estimava-se em 33% do VAB nacional do setor representando cerca de 4,8% do VAB regional. O mesmo para um volume de negócios que se estimou representar na Região de Lisboa 5,4% do volume total, tendo um peso de 34,9% no volume de negócios gerado pelo sector a nível nacional. 

Mas não só, Lisboa vê hoje desenharem-se um conjunto de tendências e oportunidades que importa aproveitar e integrar numa estratégica única para a Economia do Mar, entre os quais sublinhamos os seguintes:

- O aumento do número de turistas de cruzeiros (em 2012 situava-se em cerca de 522.000 e em 2013 é já de 560.000, dados APL);

- A possibilidade de construção de espaços multifuncionais, dando novos usos a toda a frente ribeirinha e criando uma oportunidade para o desenvolvimento económico, social, cultural e de atividades de I&D;

- O aumento da prática da náutica de recreio, janela de oportunidade para incremento das actividades tradicionais de apoio a esta actividade (incluindo a pequena reparação e construção naval);

-A importância crescente dada à sustentabilidade e a afirmação das energias renováveis, onde a investigação científica em torno dos oceanos toma um papel essencial;

- O crescimento do transporte marítimo de mercadorias, que gera oportunidades para os portos, ainda mais pela proximidade de Lisboa com o Porto de Sines, e a crescente importância do tema da segurança marítima, sendo a presença em Lisboa da sede da Agência Europeia para a Segurança Marítima um importante factor a ter em conta.

- Finalmente, a extensão da plataforma continental portuguesa, relativamente à qual a cidade de Lisboa, pela localização e meios disponíveis, tem posição estratégica na atração de indústrias, atividades de investigação e serviços de apoio aos diversos setores ligados ao mar.

Mas a cidade tem também, para além de um posicionamento privilegiado, um conjunto importante de actividades, empresas e instituições ligadas à economia do mar, de enorme relevância. De facto, em Lisboa estão localizados mais de 21 Centros de Investigação e instituições nacionais e internacionais relacionadas com a temática marítima, aos quais se junta um conjunto significativo de actividades portuárias, de transportes e logística ou de serviços de apoio e comércio de produtos marítimos. A estes, junta-se igualmente um número muito relevante de entidades ligadas ao desenvolvimento da náutica de recreio e atividades de cultura e património em torno da economia do mar.   

A Câmara Municipal de Lisboa assume pois, o seu compromisso com a economia do mar, federando os actores da cidade e da região em torno de projectos estruturantes e ajudando a reforçar o compromisso da cidade com a sua matriz identitária: uma capital Atlântica e uma região de vocação marítima.

O futuro ‘Campus do Mar’ – uma rede universitária em torno das Ciências do Mar e um dos projectos estruturantes para a cidade de Lisboa no próximo período de programação de fundos U.E. - e o Plano Geral de Intervenções da Frente Ribeirinha de Lisboa, são já fruto dessa intenção e exemplos de intervenções que contribuirão também para o sucesso na implementação e dinamização da ‘Economia do Mar’ na cidade.

Mas outras oportunidades existem, sendo possível, desde já, identificar três linhas de actuação, essenciais à cidade.

O Ecossistema Empreendedor e a Investigação e Desenvolvimento Marinhos

Integrar as actividades em torno da exploração e investigação marinha no ecossistema empreendedor da cidade, apoiando o surgimento de um pólo marítimo de qualidade superior, integrador do Campus do Mar e de espaços de incubação empresarial ligados à atividade económica do mar, é opção essencial, bem como a promoção da diversidade da atividade económica em torno de recursos marítimos e fluviais já existentes na cidade, apoiando o desenvolvimento de projetos associados às indústrias do mar, e em simultâneo, reutilizando espaços em desuso.

Será igualmente interessante pôr a tecnologia ao serviço da economia do mar na cidade, criando dispositivos web que promovam e valorizem a navegabilidade e o interesse turístico, patrimonial/cultural e gastronómico dos concelhos do estuário do tejo, ou dar espaço à existência de dispositivos, que permitam conhecer a oferta e condições de todas as marinas e locais de atracamento de náutica de recreio na área metropolitana de Lisboa, por associação com informação turística de relevo (gastronomia, cultura e património).

Ajudar à consolidação do Plano de Intervenções na Frente Ribeirinha

Considerando as possibilidades de uso previstas noPlano de Intervenções na Frente Ribeirinha, e as possíveis reutilizações de antigo edificado e de zonas sem efetivo uso portuário, importa ajudar à consolidação destas zonas, promovendo a concentração de pequenos e médios operadores económicos, ligados por exemplo, à náutica desportiva e de recreio, às áreas da pequena reparação e construção de equipamento náutico ou à pesca e actividades marítimo-turísticas.

Tirar partido do posicionamento geo-estratégico da cidade

Federar os actores da cidade em torno de uma ‘Plataforma Marítima de Lisboa’ que se possa constituir como estrutura informal de diálogo entre os parceiros estratégicos mais representativos do setor marítimo e que contribua para uma governação eficaz na definição e execução dos projetos e iniciativas estruturantes na cidade, será crucial para a sua afirmação e outra das nossas ambições.

A capitalização da presença na cidade de entidades internacionais ligadas ao mar e o fomento da presença na cidade de eventos internacionais de excelência nas áreas da segurança marítima, biotecnologia marinha e tecnologias marítimas ou turismo náutico, ajudará certamente a criar e a cimentar uma cultura e identidade marítima forte nos cidadãos de Lisboa.

É, pois nossa convicção, que se possam construir em parceria na cidade, as melhores soluções para uma “Economia do Mar” baseada no conhecimento e na inovação, permitindo criar emprego, gerar actividade económica e consolidar novos usos e oportunidades de negócio sustentáveis no tempo.

E é também nossa intenção central, não só fomentar a discussão com os diversos agentes económicos da cidade e do país sobre uma estratégia integrada para o desenvolvimento de um cluster marítimo na cidade, mas sobretudo contribuir para implementar e desenvolver projetos que afirmem um rumo integrado para o crescimento económico da cidade e da região.

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