Competitividade Empresarial

Perspectivas para o desenvolvimento dos Centros de Mar

O Turismo, as Cidades e o Hypercluster da Economia do Mar

Ao longo das duas últimas décadas, a SaeR tem vindo a trabalhar, não só na avaliação prospectiva da evolução económica de Portugal, mas também na identificação e proposição de soluções que possam permitir colmatar ou inverter os cenários mais desfavoráveis. Neste contexto oferece elementos concretos de apoio à tomada de decisão dos decisores contribuindo efectivamente para o desenvolvimento e crescimento económico nacional.

Nessa linha de atuação, e tendo presente os desafios do presente, importa encontrar respostas que possam preparar e concretizar uma nova configuração da economia portuguesa que lhe permita a integração na nova economia global em afirmação – uma economia globalizada, aberta, competitiva e por sectores, onde o espaço se desmaterializa em função da criação de redes globais de criação de valor acrescentado, onde é imprescindível estar.

Este é o tempo para lançar as bases de um novo paradigma de crescimento e de uma nova estratégia de modernização no quadro das transformações estruturais a que estamos a assistir no quadro económico global. É hora de repensar e encontrar soluções inovadoras que permitam alavancar a recuperação económica nacional, tomando como base os domínios estratégicos identificados como de elevado potencial de desenvolvimento para Portugal, de entre os quais destacaremos, neste contexto, o Turismo, as Cidades e o Hypercluster da Economia do Mar.

No quadro desta preocupação, a SaeR desenvolveu e aprofundou o seu conhecimento sobre questões fundamentais para a tomada de decisões estratégicas no nosso país, nomeadamente o conceito de microgeopolítica e tem trabalhado em modelos aplicados de soluções concretas para apoiar os municípios e as regiões nacionais a encontrar novos modelos de desenvolvimento e equilíbrio financeiro, económico e social.

Neste sentido, a identificação de domínios com elevado potencial de desenvolvimento em Portugal permite a clarificação e delimitação de sectores onde Portugal pode construir soluções inovadoras, portadoras de futuro e que constituam a base de uma estratégia de modernização que satisfaça as exigências dos novos modelos de economia que hoje se afirmam.

O Turismo Náutico: um sector decisivo

O amplo domínio genericamente chamado de “Turismo” é constituído por uma constelação de actividades com características múltiplas, realizadas por agentes económicos com perfis também múltiplos, cujo objectivo consiste em satisfazer o turista-consumidor final. Trata-se de um sector complexo, composto por diferentes segmentos, cada qual com características, exigências e formas de actuação diferentes. De entre os segmentos identificados como mais interessantes para Portugal, o segmento “Desporto” adquire uma relevância específica na sua componente “Turismo Náutico”, identificado como um dos dez produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal, nomeadamente no que respeita à Náutica de Recreio e Náutica Desportiva.

Actividade económica com grande potencial de desenvolvimento a curto e médio prazo, a Náutica de Recreio está, no entanto, ainda muito pouco explorada em Portugal, nomeadamente se comparada com o que acontece em outros países europeus por ventura com menores potencialidades naturais para a sua prática.

Produto com procura internacional elevada, o investimento estratégico nesta componente da Náutica de Recreio não só traz novas receitas, como constitui um forte contributo para alavancar o desenvolvimento de toda uma rede de outras actividades cuja dinamização promoverá o desenvolvimento integrado da economia nacional.

Centro de Mar: Uma proposta instrumental com elevado potencial

Neste contexto, a SaeR desenvolveu o conceito teórico específico de Centro de Mar, enquanto instrumento operacional para a afirmação do Turismo Náutico em Portugal, aproveitando as condições naturais e humanas já disponíveis, o elevado potencial de crescimento existente face à procura expectável num horizonte de curto/médio prazo, e a possibilidade estratégica de reposicionamento de Portugal enquanto país “Atlântico na Europa”, para o que uma aposta no Turismo Náutico e na criação de uma rede de Centros de Mar nacionais poderá contribuir fortemente.

O conceito de Centro de Mar não se esgota, no entanto, aí. Tendo como elemento transversal e estruturante o desenvolvimento de actividades nas áreas do Turismo Náutico e a Náutica de Recreio, o Centro de Mar é um centro dinamizador de diferentes actividades económicas ligadas ao mar com elevado potencial de desenvolvimento de cada cidade/região, constituindo-se como núcleo de afirmação estratégica da região promotora. Tem ainda como objectivo a dinamização de outras actividades complementares, com maior ou menor relevo no conjunto, e maior ou menor ligação às actividades turísticas, dependendo do caso específico de cada região.

Um Centro de Mar é, assim, um pólo modular, multipolar e multifuncional, normalmente construído numa lógica mais desmaterializada do que em estruturas físicas pesadas, capaz de, a partir de um núcleo dinamizador central, promover o desenvolvimento de actividades complementares que provoquem o desenvolvimento económico nos locais de respectiva implantação, com efeitos multiplicadores a nível local, mas também regional ou mesmo nacional.

A criação de Centros de Mar em locais apropriados do país afigura-se como um instrumento de concretização estratégica relevante, permitindo desenvolver a economia regional e nacional com base nas respectivas potencialidades próprias, partindo de uma actividade âncora com elevado potencial de crescimento para o 1º quartel do séc. XXI, como é o Turismo Náutico.

Por outro lado, a qualidade dos serviços a prestar por cada Centro de Mar – e exigidos aos seus parceiros locais – contribuirá para qualificar e diversificar a oferta existente e promoverá a inovação organizacional e do modelo de gestão da rede de pólos de actividade nele integrados, esperando-se que a sua presença tenha efeitos multiplicadores sobretudo no desenvolvimento do tecido empresarial local, contribuindo para a sua qualificação e reposicionamento na cadeia de valor, direccionando as empresas para segmentos mais interessantes do mercado e promovendo o fornecimento de bens e serviços de grande qualidade.

Isto mesmo foi já reconhecido por diversos actores locais que compreenderam o potencial deste instrumento estratégico operacional, estando em curso a concretização de três Centros de Mar distribuídos ao longo do território continental nacional – no Norte (CIM Alto Minho, a partir de Viana do Castelo), o Centro de Mar ‘Cidade Náutica do Atlântico’ que foi o primeiro, é o mais avançado na respectiva concretização e está focado no desenvolvimento dos desportos náuticos. No Algarve, o Centro de MarPorta Marítima do Algarve’ conhece os seus passos iniciais a partir de Portimão e deverá assentar na atracção de cruzeiros e eventos internacionais ligados ao mar. Finalmente, em Cascais, está em finalização a fase de concepção e desenho de um Centro de Mar que aproveite e desenvolva as potencialidades específicas existentes no Concelho, tendo em conta o enquadramento mais alargado do seu espaço de enquadramento alargado.

São iniciativas que revelam já a capacidade que este instrumento operacional encerra enquanto factor de reconfiguração das economias locais e regionais, tendo-se tornado sistematicamente, no cruzamento de três dos cinco domínios de elevado potencial para a economia portuguesa (o turismo, as cidades e a economia do mar), um activo portador de futuro e orientador de uma estratégia de desenvolvimento com elevado potencial de crescimento.

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