Competitividade Empresarial

"O mar sem fim é portugês"

Começámos com os pés bem assentes na terra, em Sintra.

Mas querermos ser uma empresa de engenharia de referência, em Portugal e no Mundo, depressa nos estimulou a abrir horizontes.

Olhámos em frente. No sentido do Mar. É por isso que estamos hoje no Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde, com projetos bem ancorados na Costa do Marfim, na Guiné-Bissau, nos Camarões, no Malawi, em Macau, na Índia e em Singapura, com Timor à vista.

O Mar fala português! E neste contexto, temos procurado capitalizar o comércio que os nossos antepassados marinheiros fizeram, e o bom nome que deixaram de Portugal no Mundo.

Enquanto Povo, começámos a nossa aventura marítima com a conquista de Ceuta em 1415.

Mas já no século XXI, quer seja em Malaca, em Goa, em Ceilão ou em Nagasaki, no Japão, os portugueses ainda hoje são reconhecidos e respeitados, e especialmente bem-vindos.

É este aproveitamento da História que a Projecto.Detalhe procura fazer, honrando a memória dos nossos antepassados, e particularmente aproveitando as oportunidades que nos deixaram e que ainda hoje perduram.

A internacionalização da empresa situa-se atualmente por isso acima dos 80%. Fomos além-Mar em busca de oportunidades de negócio.

Digamos que sou engenheiro de formação, mas marinheiro por vocação, duas facetas que conciliei na Escola Náutica.

Já na Academia Militar, aprendi o que é o Espírito de Missão e no Sporting a saber sofrer…!

O Mar, e o contacto com o Mar, além de nos fazer sofrer, dá-nos também muito prazer, abre-nos perspetivas, apura o nosso sentido de vigilância. Os golfinhos conseguem ficar atentos durante 15 dias consecutivos, dormindo apenas com uma parte do cérebro.    

Boas ideias, boas energias

Pedro Balas, quando fazia um interrail aos vinte anos, ficou sem bateria no telemóvel.

E pôs-se a imaginar como poderia converter a energia do movimento dos vagões a deslizar nos carris, em energia que pudesse usar para carregar o telemóvel.

Dos carris às ondas, à ideia de produzir energia a partir do movimento, foi um passo – nasceu assim a Emove, start up portuguesa que patenteou um gerador que produz energia elétrica a partir do movimento das ondas, que tem acumulado prémios de inovação desde a sua criação.

Uma pequena empresa britânica, que segundo escreve a BBC, desenvolveu uma tecnologia que permite produzir combustível apenas com água e ar.

A Air Fuel Synthesis conseguiu produzir combustível a partir de hidrogénio extraído de vapor de água e dióxido de carbono que se encontra no ar.

Os seus investigadores extraem dióxido de carbono do ar e hidrogénio do vapor da água (por eletrólise) e, em seguida, combinam as duas substâncias numa câmara de alta temperatura. Este processo resulta em metanol, que por sua vez é usado na produção de combustível.

Em Portugal, também o WaveRoller, uma plataforma com 420 toneladas de aço e fibra de vidro, irá produzir energia a partir do movimento das ondas, na sua aproximação à costa.

O sistema, implementado pela empresa finlandesa AW-Energy e composto por três pás com 42 metros de comprimento e 16 metros de largura que oscilam debaixo de água deverão produzir, cada uma, 100kW de eletricidade.

A propósito de bons projetos, há que destacar obrigatoriamente a central de energia das marés de La Rance, propriedade da EDF.

É única do seu tipo em todo o mundo e integra a energia que produz na rede elétrica. Este projeto terminado em 1967, conta com 24 turbinas bolbo, cada uma capaz de produzir 10 MW!

Devido ao perfil muito acentuado da nossa plataforma continental, não é possível implantar no mar, assentes no fundo, aerogeradores para produção de energia eólica no mar.

Sistema Windfloat, desenvolvido pela Principle Power, instalado em Portugal

Mas existe uma excelente alternativa chamada WindFloat, um sistema equipado com um aerogerador de 2 megawatts (MW), o que corresponde ao consumo de cerca de 1300 habitações. É bom saber que este sistema localizado ao largo da costa da Aguçadoura, em Portugal, está já a produzir energia para a rede.

O Windfloat integra, entre outros, a EDP, a Repsol, a Principle Power, a A. Silva Matos (ASM), a Vestas Wind Systems A/S e o InovCapital, tendo sido construído nos Estaleiros da Lisnave, em Setúbal, que estão de novo na liderança da reparação naval na Europa.

A Repower tem um gerador de 6,5MW instalado e a funcionar.

O maior aerogerador offshore do mundo, o Haliade 150, inaugurado pela Alstom e com uma potência de 6MW, faz parte de um ambicioso plano para instalar 3 GW na costa francesa até 2015.

O parque eólico de Carnet, localizado próximo de Saint-Nazaire, parece ter sido escolhido pelas suas características geológicas, que são bastante similares ao ambiente submarino, no qual os aerogeradores serão posteriormente instalados.

Navio movido a energia solar

Energia…em movimento

Convém recordar que além da energia que é produzida no mar, embora ancorada, existe uma outra igualmente produzida, mas em movimento.

Um navio movido a energia solar que começou a sua volta ao mundo em setembro de 2010, no Mónaco e terminou em maio de 2012 em Hong Kong, tendo passado oito meses no mar, movido unicamente pela energia solar!

O objetivo deste projeto era provar que o sol é também uma fonte confiável para o transporte ecológico de pessoas e mercadorias, pela via marítima.

Talvez ainda assim, e de todos os projetos atuais, o mais arrojado seja mesmo a construção de uma ilha artificial – uma ilha flutuante solar.

Ilha flutuante solar

A CSEM desenhou-a e o Governo dos Emirados Árabes Unidos comprou a ideia. E a Ilha. Trata-se de uma balsa insuflada, em forma circular.

Agora que a ideia está vendida, as provas de mar … serão em terra: no deserto!

Trata-se de uma grande superfície, com 100 metros de diâmetro, coberta de painéis solares, com capacidade para gerar 1 MW de potência a partir da acumulação do calor, que concentrado em tubagem onde circula água, produz vapor.

A partir daqui, a energia é obtida através das turbinas incorporadas.  

Uma aplicação típica de um sistema solar – térmico, mas adaptado ao mar.

De olhos postos no Mar

Quem se formou no Mar e ouve dizer agora que o Mar é um ativo estratégico fundamental, não encara o tema como novidade. Apenas não percebe como a política integrada para o Mar, não saiu dos programas governamentais para o terreno.

Mas não tem de ser o Estado a conduzir o processo. Apenas o deve facilitar, promovendo a iniciativa privada e criando as condições necessárias para o investimento, seja nacional ou estrangeiro.

E para isso, tem de garantir facilidade no licenciamento dos projetos - ninguém espera cinco anos por um licenciamento; tem de garantir desburocratização dos processos; tem de garantir estabilidade fiscal – ninguém arrisca o seu dinheiro num jogo em que as regras mudam ou podem mudar a meio.

O custo do trabalho e a sua excessiva sindicalização são fatores igualmente dissuasores.

Por fim, e que podia ser também o início, a justiça tem de ser célere, tem de proteger os interesses das partes, e não ser um contrapoder em si, por vezes com agenda política própria.

O resto, fazem os empresários, seja em parcerias nacionais ou internacionais. Tome-se o exemplo do Windfloat anteriormente referido.

É fundamental recuperar e reposicionar o Mar na agenda política e económica, uma vez que se trata de uma forte alavanca de desenvolvimento (temos maior ZEE da Europa e a 11ª maior do mundo).

A Projecto.Detalhe, empresa de engenharia e gestão de projetos, tem por isso apostado na plataforma marítima, intervindo, no âmbito da Responsabilidade Social, na dinamização de iniciativas em prol da divulgação das oportunidades no Mar.

Em 2010, realizámos o Ciclo de Conferências “Um Projeto de Futuro”, com oradores de renome como Mira Amaral, Rui Moreira de Carvalho, José Poças esteves ou Jorge Azedo, no Clube de Opinião da Marinha Mercante

Um ano depois, organizámos “O Mar e os Navegadores do Futuro”, no Dia Mundial do Mar, onde juntámos no mesmo barco reconhecidos economistas como Poças Esteves com jovens marinheiros aventureiros, como Ricardo Diniz, no Auditório da IPTM/Escola Náutica.

No Congresso Âncora, organizado pelo Fórum Empresarial da Economia do Mar, no Centro de Congressos do Estoril, marcámos presença num painel dedicado à Internacionalização partilhando a nossa história e percurso.

A Projecto.Detalhe contribuiu com a sua perspetiva, abordou a estratégia, os sucessos, os insucessos, as falhas e as surpresas além-fronteiras, e explicou por que volta sempre a lançar-se ao Mar.

Além do Oil & Gas, Energia, Ambiente, Infraestruturas, Mineração e Siderurgia, a Projecto.Detalhe está também orientada para o Cluster do Mar, possuindo know-how para o desenvolvimento de projetos de Construção e Reparação Naval, Portos e Marinas, Logística, Obras Marítimas, Aquacultura e Indústria da Pesca, Ensino, Formação e especialmente Produção de Energia.

O espírito competitivo e a ambição de ganharmos de novo o mundo, leva-nos a buscar permanentemente novas áreas de negócio.

E a Energia integrada no Cluster do Mar constitui claramente uma oportunidade para as PME.

Inspirados novamente pelo Poeta dos Descobrimentos, Pessoa, encerrar este ‘capítulo’, já que foi ele quem melhor descreveu a nossa epopeia marítima (Fernando Pessoa, n’A Mensagem).

A Europa jaz, posta nos cotovelos

De Oriente a Ocidente jaz fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos lembrando

 

O cotovelo esquerdo é recuado

O direito é em angulo disposto

Aquele diz Itália onde é pousado

Este diz Inglaterra onde afastado

A mão sustenta, em que se apoia o rosto

 

Fita com olhar esfíngico e fatal

O Ocidente futuro do passado.

 

O rosto com que fita é Portugal

 

Comentar


Código de segurança
Atualizar

Threesome