Competitividade Empresarial

Economia do mar no Algarve

Desde sempre, o Algarve tem estado bem ligado ao mar. Mesmo no tempo das Descobertas, o Algarve teve um papel de liderança, com a bem conhecida “escola de Sagres”, embora, hoje em dia, haja muito boa gente que ponha em dúvida a sua verdadeira existência. Mas ninguém tem dúvidas que foi aí que se deu início à expansão portuguesa, com a partida das naus à conquista das primeiras praças no norte de África.

Ao longo da História, o Algarve forneceu uma boa quantidade dos marinheiros que descobriram novos mundos. Por outro lado, a indústria da pesca teve aí um enorme desenvolvimento, assim como as conservas.

Infelizmente, nos últimos anos, toda essa actividade decresceu imenso, a par com o que aconteceu no resto do país. Também, a par com o resto do país, temos visto um ressurgir da economia do mar no Algarve.

Apontando alguns dos sectores, sem qualquer ordem de importância (todos são importantes!!!!):

  • Turismo náutico: sem dúvida nenhuma, um dos sectores mais visíveis, onde muito se tem feito, e onde há imenso para se fazer, designadamente:

    • Maior divulgação das marinas e portos de recreio do Algarve, a par com outras marinas e portos de recreio nacionais, acompanhado de melhoria de alguns portos de recreio menos atraentes e, eventualmente, conversão de portos de pesca a portos de recreio, pelo menos parcialmente.

    • Maior qualificação do sector marítimo-turístico, assim como sua promoção na época baixa.

    • Melhoria das condições em Portimão para a recepção de navios de cruzeiros.

  • Aquacultura: facilitação dos licenciamentos e maior apoio técnico aos produtores

  • Tarnsformação de pescado: apoio à criação de empresas transformadoras de pescado, assim como da sua simples comercialização, dada a excelente qualidade da matéria-prima, muitas vezes deteriorada nas primeiras horas após a pesca.

  • Formação e investigação: a Universidade do Algarve e o CCMAR têm vindo a fazer um excelente trabalho no domínio do conheciento dos oceanos. Quanto amim, há apenas que se continuar o esforço de melhorar a ligação às empresas, para o necessário retorno económico do seu excelente trabalho.

 

Lisboa, uma economia que também é marítima

Pensar estrategicamente a economia urbana numa cidade como Lisboa, é considerar não só todo o seu potencial instalado, como ser capaz de construir uma visão proactiva e de futuro, e pensar aquelas que são as actividades e áreas de desenvolvimento capazes de trazer mais-valias à cidade, gerando em permanência, investimento, valor e emprego numa contínua busca de vitalidade, talento e energia criadora.

Considerar, por isso, a importância de agregar actores estratégicos e desenvolver um conjunto vasto de acções em torno da Economia do Mar na cidade, é não só dar corpo renovado à ligação ancestral e intrínseca de Lisboa à actividade fluvial e marítima, mas ajudar a capacitar um sector de enorme potencial para a cidade e que hoje se configura de enorme significado

Segundo os últimos indicadores económicos disponibilizados pelo INE em 2011, a percentagem de empresas directa e indirectamente ligadas à “Economia do Mar” na Região de Lisboa, representava cerca de 28,5% do setor do mar a nível nacional. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) do setor do mar na Região de Lisboa, estimava-se em 33% do VAB nacional do setor representando cerca de 4,8% do VAB regional. O mesmo para um volume de negócios que se estimou representar na Região de Lisboa 5,4% do volume total, tendo um peso de 34,9% no volume de negócios gerado pelo sector a nível nacional. 

Mas não só, Lisboa vê hoje desenharem-se um conjunto de tendências e oportunidades que importa aproveitar e integrar numa estratégica única para a Economia do Mar, entre os quais sublinhamos os seguintes:

- O aumento do número de turistas de cruzeiros (em 2012 situava-se em cerca de 522.000 e em 2013 é já de 560.000, dados APL);

- A possibilidade de construção de espaços multifuncionais, dando novos usos a toda a frente ribeirinha e criando uma oportunidade para o desenvolvimento económico, social, cultural e de atividades de I&D;

- O aumento da prática da náutica de recreio, janela de oportunidade para incremento das actividades tradicionais de apoio a esta actividade (incluindo a pequena reparação e construção naval);

-A importância crescente dada à sustentabilidade e a afirmação das energias renováveis, onde a investigação científica em torno dos oceanos toma um papel essencial;

- O crescimento do transporte marítimo de mercadorias, que gera oportunidades para os portos, ainda mais pela proximidade de Lisboa com o Porto de Sines, e a crescente importância do tema da segurança marítima, sendo a presença em Lisboa da sede da Agência Europeia para a Segurança Marítima um importante factor a ter em conta.

- Finalmente, a extensão da plataforma continental portuguesa, relativamente à qual a cidade de Lisboa, pela localização e meios disponíveis, tem posição estratégica na atração de indústrias, atividades de investigação e serviços de apoio aos diversos setores ligados ao mar.

Mas a cidade tem também, para além de um posicionamento privilegiado, um conjunto importante de actividades, empresas e instituições ligadas à economia do mar, de enorme relevância. De facto, em Lisboa estão localizados mais de 21 Centros de Investigação e instituições nacionais e internacionais relacionadas com a temática marítima, aos quais se junta um conjunto significativo de actividades portuárias, de transportes e logística ou de serviços de apoio e comércio de produtos marítimos. A estes, junta-se igualmente um número muito relevante de entidades ligadas ao desenvolvimento da náutica de recreio e atividades de cultura e património em torno da economia do mar.   

A Câmara Municipal de Lisboa assume pois, o seu compromisso com a economia do mar, federando os actores da cidade e da região em torno de projectos estruturantes e ajudando a reforçar o compromisso da cidade com a sua matriz identitária: uma capital Atlântica e uma região de vocação marítima.

O futuro ‘Campus do Mar’ – uma rede universitária em torno das Ciências do Mar e um dos projectos estruturantes para a cidade de Lisboa no próximo período de programação de fundos U.E. - e o Plano Geral de Intervenções da Frente Ribeirinha de Lisboa, são já fruto dessa intenção e exemplos de intervenções que contribuirão também para o sucesso na implementação e dinamização da ‘Economia do Mar’ na cidade.

Mas outras oportunidades existem, sendo possível, desde já, identificar três linhas de actuação, essenciais à cidade.

O Ecossistema Empreendedor e a Investigação e Desenvolvimento Marinhos

Integrar as actividades em torno da exploração e investigação marinha no ecossistema empreendedor da cidade, apoiando o surgimento de um pólo marítimo de qualidade superior, integrador do Campus do Mar e de espaços de incubação empresarial ligados à atividade económica do mar, é opção essencial, bem como a promoção da diversidade da atividade económica em torno de recursos marítimos e fluviais já existentes na cidade, apoiando o desenvolvimento de projetos associados às indústrias do mar, e em simultâneo, reutilizando espaços em desuso.

Será igualmente interessante pôr a tecnologia ao serviço da economia do mar na cidade, criando dispositivos web que promovam e valorizem a navegabilidade e o interesse turístico, patrimonial/cultural e gastronómico dos concelhos do estuário do tejo, ou dar espaço à existência de dispositivos, que permitam conhecer a oferta e condições de todas as marinas e locais de atracamento de náutica de recreio na área metropolitana de Lisboa, por associação com informação turística de relevo (gastronomia, cultura e património).

Ajudar à consolidação do Plano de Intervenções na Frente Ribeirinha

Considerando as possibilidades de uso previstas noPlano de Intervenções na Frente Ribeirinha, e as possíveis reutilizações de antigo edificado e de zonas sem efetivo uso portuário, importa ajudar à consolidação destas zonas, promovendo a concentração de pequenos e médios operadores económicos, ligados por exemplo, à náutica desportiva e de recreio, às áreas da pequena reparação e construção de equipamento náutico ou à pesca e actividades marítimo-turísticas.

Tirar partido do posicionamento geo-estratégico da cidade

Federar os actores da cidade em torno de uma ‘Plataforma Marítima de Lisboa’ que se possa constituir como estrutura informal de diálogo entre os parceiros estratégicos mais representativos do setor marítimo e que contribua para uma governação eficaz na definição e execução dos projetos e iniciativas estruturantes na cidade, será crucial para a sua afirmação e outra das nossas ambições.

A capitalização da presença na cidade de entidades internacionais ligadas ao mar e o fomento da presença na cidade de eventos internacionais de excelência nas áreas da segurança marítima, biotecnologia marinha e tecnologias marítimas ou turismo náutico, ajudará certamente a criar e a cimentar uma cultura e identidade marítima forte nos cidadãos de Lisboa.

É, pois nossa convicção, que se possam construir em parceria na cidade, as melhores soluções para uma “Economia do Mar” baseada no conhecimento e na inovação, permitindo criar emprego, gerar actividade económica e consolidar novos usos e oportunidades de negócio sustentáveis no tempo.

E é também nossa intenção central, não só fomentar a discussão com os diversos agentes económicos da cidade e do país sobre uma estratégia integrada para o desenvolvimento de um cluster marítimo na cidade, mas sobretudo contribuir para implementar e desenvolver projetos que afirmem um rumo integrado para o crescimento económico da cidade e da região.

Perspectivas para o desenvolvimento dos Centros de Mar

O Turismo, as Cidades e o Hypercluster da Economia do Mar

Ao longo das duas últimas décadas, a SaeR tem vindo a trabalhar, não só na avaliação prospectiva da evolução económica de Portugal, mas também na identificação e proposição de soluções que possam permitir colmatar ou inverter os cenários mais desfavoráveis. Neste contexto oferece elementos concretos de apoio à tomada de decisão dos decisores contribuindo efectivamente para o desenvolvimento e crescimento económico nacional.

Nessa linha de atuação, e tendo presente os desafios do presente, importa encontrar respostas que possam preparar e concretizar uma nova configuração da economia portuguesa que lhe permita a integração na nova economia global em afirmação – uma economia globalizada, aberta, competitiva e por sectores, onde o espaço se desmaterializa em função da criação de redes globais de criação de valor acrescentado, onde é imprescindível estar.

Este é o tempo para lançar as bases de um novo paradigma de crescimento e de uma nova estratégia de modernização no quadro das transformações estruturais a que estamos a assistir no quadro económico global. É hora de repensar e encontrar soluções inovadoras que permitam alavancar a recuperação económica nacional, tomando como base os domínios estratégicos identificados como de elevado potencial de desenvolvimento para Portugal, de entre os quais destacaremos, neste contexto, o Turismo, as Cidades e o Hypercluster da Economia do Mar.

No quadro desta preocupação, a SaeR desenvolveu e aprofundou o seu conhecimento sobre questões fundamentais para a tomada de decisões estratégicas no nosso país, nomeadamente o conceito de microgeopolítica e tem trabalhado em modelos aplicados de soluções concretas para apoiar os municípios e as regiões nacionais a encontrar novos modelos de desenvolvimento e equilíbrio financeiro, económico e social.

Neste sentido, a identificação de domínios com elevado potencial de desenvolvimento em Portugal permite a clarificação e delimitação de sectores onde Portugal pode construir soluções inovadoras, portadoras de futuro e que constituam a base de uma estratégia de modernização que satisfaça as exigências dos novos modelos de economia que hoje se afirmam.

O Turismo Náutico: um sector decisivo

O amplo domínio genericamente chamado de “Turismo” é constituído por uma constelação de actividades com características múltiplas, realizadas por agentes económicos com perfis também múltiplos, cujo objectivo consiste em satisfazer o turista-consumidor final. Trata-se de um sector complexo, composto por diferentes segmentos, cada qual com características, exigências e formas de actuação diferentes. De entre os segmentos identificados como mais interessantes para Portugal, o segmento “Desporto” adquire uma relevância específica na sua componente “Turismo Náutico”, identificado como um dos dez produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal, nomeadamente no que respeita à Náutica de Recreio e Náutica Desportiva.

Actividade económica com grande potencial de desenvolvimento a curto e médio prazo, a Náutica de Recreio está, no entanto, ainda muito pouco explorada em Portugal, nomeadamente se comparada com o que acontece em outros países europeus por ventura com menores potencialidades naturais para a sua prática.

Produto com procura internacional elevada, o investimento estratégico nesta componente da Náutica de Recreio não só traz novas receitas, como constitui um forte contributo para alavancar o desenvolvimento de toda uma rede de outras actividades cuja dinamização promoverá o desenvolvimento integrado da economia nacional.

Centro de Mar: Uma proposta instrumental com elevado potencial

Neste contexto, a SaeR desenvolveu o conceito teórico específico de Centro de Mar, enquanto instrumento operacional para a afirmação do Turismo Náutico em Portugal, aproveitando as condições naturais e humanas já disponíveis, o elevado potencial de crescimento existente face à procura expectável num horizonte de curto/médio prazo, e a possibilidade estratégica de reposicionamento de Portugal enquanto país “Atlântico na Europa”, para o que uma aposta no Turismo Náutico e na criação de uma rede de Centros de Mar nacionais poderá contribuir fortemente.

O conceito de Centro de Mar não se esgota, no entanto, aí. Tendo como elemento transversal e estruturante o desenvolvimento de actividades nas áreas do Turismo Náutico e a Náutica de Recreio, o Centro de Mar é um centro dinamizador de diferentes actividades económicas ligadas ao mar com elevado potencial de desenvolvimento de cada cidade/região, constituindo-se como núcleo de afirmação estratégica da região promotora. Tem ainda como objectivo a dinamização de outras actividades complementares, com maior ou menor relevo no conjunto, e maior ou menor ligação às actividades turísticas, dependendo do caso específico de cada região.

Um Centro de Mar é, assim, um pólo modular, multipolar e multifuncional, normalmente construído numa lógica mais desmaterializada do que em estruturas físicas pesadas, capaz de, a partir de um núcleo dinamizador central, promover o desenvolvimento de actividades complementares que provoquem o desenvolvimento económico nos locais de respectiva implantação, com efeitos multiplicadores a nível local, mas também regional ou mesmo nacional.

A criação de Centros de Mar em locais apropriados do país afigura-se como um instrumento de concretização estratégica relevante, permitindo desenvolver a economia regional e nacional com base nas respectivas potencialidades próprias, partindo de uma actividade âncora com elevado potencial de crescimento para o 1º quartel do séc. XXI, como é o Turismo Náutico.

Por outro lado, a qualidade dos serviços a prestar por cada Centro de Mar – e exigidos aos seus parceiros locais – contribuirá para qualificar e diversificar a oferta existente e promoverá a inovação organizacional e do modelo de gestão da rede de pólos de actividade nele integrados, esperando-se que a sua presença tenha efeitos multiplicadores sobretudo no desenvolvimento do tecido empresarial local, contribuindo para a sua qualificação e reposicionamento na cadeia de valor, direccionando as empresas para segmentos mais interessantes do mercado e promovendo o fornecimento de bens e serviços de grande qualidade.

Isto mesmo foi já reconhecido por diversos actores locais que compreenderam o potencial deste instrumento estratégico operacional, estando em curso a concretização de três Centros de Mar distribuídos ao longo do território continental nacional – no Norte (CIM Alto Minho, a partir de Viana do Castelo), o Centro de Mar ‘Cidade Náutica do Atlântico’ que foi o primeiro, é o mais avançado na respectiva concretização e está focado no desenvolvimento dos desportos náuticos. No Algarve, o Centro de MarPorta Marítima do Algarve’ conhece os seus passos iniciais a partir de Portimão e deverá assentar na atracção de cruzeiros e eventos internacionais ligados ao mar. Finalmente, em Cascais, está em finalização a fase de concepção e desenho de um Centro de Mar que aproveite e desenvolva as potencialidades específicas existentes no Concelho, tendo em conta o enquadramento mais alargado do seu espaço de enquadramento alargado.

São iniciativas que revelam já a capacidade que este instrumento operacional encerra enquanto factor de reconfiguração das economias locais e regionais, tendo-se tornado sistematicamente, no cruzamento de três dos cinco domínios de elevado potencial para a economia portuguesa (o turismo, as cidades e a economia do mar), um activo portador de futuro e orientador de uma estratégia de desenvolvimento com elevado potencial de crescimento.

"O mar sem fim é portugês"

 

A frase foi ‘roubada’ a Fernando Pessoa, decorou o stand da Projecto.Detalhe na Lisbon Atlantic Conference, e tem inspirado o percurso da empresa desde o ano 2000, altura em que foi constituída.

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