Gestor em Foco

Luís Figueiredo - O rosto do Grupo E.T.E.

 

A sua maneira de operar constituiu à data uma solução inovadora para melhorar a rapidez das operações de descarga nos portos portugueses que, pelo seu congestionamento e consequente preço elevado de utilização, se traduziam em custos e tempo de demora elevados para as companhias de navegação.

Desde a sua criação, a “Empresa de Tráfego e Estiva, S.A.” evoluiu e teve um desenvolvimento económico superior ao do país.

O mesmo espírito inventivo, na constante procura de novas soluções para melhorar as condições de negócio, continua hoje presente no Grupo, sendo atualmente uma referência nas áreas marítima e portuária e das atividades que lhes são afins em Portugal.

Na área portuária, está presente em todos os portos nacionais, operando através de concessões de serviço público ou como operador portuário em cais livre. Em Lisboa opera ainda uma importante frota fluvial própria, composta por gruas flutuantes, rebocadores e barcaças, utilizada para carga ou descarga de navios fundeados no Mar da Palha e entregas por via fluvial em diversos terminais do estuário do Tejo.

No Transporte marítimo, o Grupo ETE opera linhas regulares entre o Continente e as Regiões Autónomas da Madeira e Açores e ainda uma linha regular para Cabo Verde. Na área do transporte marítimo de granéis sólidos detém atualmente uma frota de navios cimenteiros, estando também presente no mercado de afretamentos. A distribuição de combustíveis no arquipélago dos Açores é assegurada através da operação de um navio afretado especialmente para o cumprimento das exigentes condições da Região, tal como foi descrito num Estudo de Caso no número anterior da Cluster do Mar.

A área da Logística tem sido desenvolvida como suporte da atividade para as Regiões Autónomas, evoluindo naturalmente para outras áreas do negócio logístico, tais como armazenagem, recepção e expedição, consolidação e desconsolidação, carga aérea e transporte rodoviário. A mais recente atividade iniciou-se este ano com o lançamento da ETE Logística de Moçambique, onde opera a partir de Maputo dispondo desde já de instalações de parqueamento e armazenagem próprias.

Atualmente, o Grupo ETE está presente no Uruguai em parceria com importantes empresas uruguaias e chilenas para o transporte fluvial de mercadorias e na Colômbia numa operação de carregamento de carvão para navios fundeados ao largo.

CM - É licenciado em Engenharia Naval pelo Instituto Superior Técnico, do curso 1982-1988. Quando com 15 anos escolheu esse curso sentiu o peso da longa história familiar no setor? Antecipava já ter de se preparar para um dia vir a liderar o grupo?

Sempre fui fascinado pelo mar e por todas as coisas a ele ligadas. Naturalmente que com o passado familiar ligado ao mar, terei de admitir a sua influência em todas as minhas opções.

Quando me decidi pelo curso de engenharia naval, estava longe de imaginar que poderia vir a trabalhar no Grupo ETE, tanto é que morava nessa altura no Brasil. A minha entrada no Grupo ETE deu-se já muitos anos depois, quando ingressei em 1990, como adjunto da direção técnica da Empresa de Tráfego e Estiva, S.A.

CM - Um dos aspetos relevantes da sua carreira é precisamente ter desempenhado várias funções dentro do grupo antes de chegar ao topo da sua gestão. Qual a importância que atribui a essa evolução para o estilo de gestão que hoje exerce?

Foi decisiva. Tive a oportunidade de conhecer e trabalhar nas diversas empresas sem ter a responsabilidade de administração. Permitiu-me conhecer e executar tarefas correntes das empresas, contactando com níveis de responsabilidade diferentes dentro das mesmas, aprendendo a respeitar as pessoas e as suas funções, quaisquer que fossem as suas importâncias dentro das diversas organizações.

CM - Quais considera serem os principais fatores de sucesso para um gestor no setor marítimo-portuário?

Como em qualquer outro sector, os principais factores de sucesso são sempre o trabalho e empenho. É minha convicção que para termos sucesso neste sector é necessário tratá-lo como outro qualquer, atendendo naturalmente às especificidades próprias, mas com peso, conta e medida. Aliás como em qualquer atividade económica.

CM - O Grupo ETE tem uma história com mais de setenta anos. A recente reestruturação pela qual passou criou a expetativa de uma alteração de estratégia para encarar com sucesso os novos desafios do setor, aos níveis nacional e internacional. O que é para si o Grupo ETE do séc. XXI?

O Grupo ETE XXI será o reflexo da evolução da economia globalizada. Atualmente as realidades são substancialmente diferentes quando comparadas com as dos últimos dez anos. Os acontecimentos são cada vez mais rápidos, obrigando-nos a reagir mais depressa. Com as dificuldades conhecidas temos que aproveitar todas as oportunidades que nos aparecem. O Grupo ETE acumulou uma experiência única no sector marítimo-portuário, que terá que ser aproveitado, aplicando-a noutras geografias e não obrigatoriamente no nosso país. Só assim poderemos garantir a permanência deste know-how no nosso Grupo e no nosso país.

Para mim o Grupo ETE do séc. XXI será um grupo do sector marítimo-portuário, com uma forte raiz portuguesa, mas atuando em diversas regiões do mundo.

CM - Quais as principais metas para os próximos 10 anos?

As principais metas para os próximos dez anos são a consolidação do Grupo ETE como operador marítimo-portuário de referência, com presença decisiva nos mercados portugueses, sul-americanos e africanos, com presença no transporte marítimo e fluvial, operação portuária e logística.

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