Editorial Dezembro 2013 - Janeiro 2014

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Algarve d’ aquém e d’ além Mar

Este início de 2014 é um momento importante para os portugueses. Divididos entre a angústia de sentir na pele a dureza de uma crise que teima em não acabar e a esperança da luz ao fundo do túnel anunciada em placard inaugurado com pompa e circunstância, numa cena digna dos Monty Python, os portugueses querem soluções concretas, precisam de um rumo para as suas vidas que vá para além da “conversa do costume”.

A economia do Mar é seguramente uma das áreas em que é urgente e há condições para se dar o pequeno passo que separa o mundo dos eternos seminários e artigos sobre as potencialidades do Mar e uma realidade em que a vida pode acontecer com crescimento económico e criação de emprego.

Com a Estratégia Nacional para o Mar 2006-2016 e a sua recente atualização para o período 2013-2020 definiu-se um rumo; com a aprovação para breve da Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional e legislação complementar criam-se as condições para o Estado ordenar, preservar e valorizar o nosso Mar, criando simultaneamente condições para desenvolver o conhecimento e a atividade económica e criar os tão necessários empregos.

É por isso mais do que nunca necessário que se identifiquem oportunidades, que se eliminem obstáculos, que se faça acontecer.

Este número da Cluster do Mar é dedicado ao Algarve. Um Algarve que tem o Mar no seu código genético. Um Algarve em que os mais atrevidos se perguntam: existe Mar sem Algarve?!

O Al-Gharb, extremo ocidental do mundo árabe, das açoteias olhando a imensidão do mar azul salpicado do branco bordado a sol das amendoeiras em flor.

O Algarve do mito do Infante sonhando caravelas e marinheiros na rebentação das ondas aos pés do promontório.

O Algarve dos alemães e ingleses enchendo as praias da minha adolescência.

O Algarve que tardou em proteger-se, que adormeceu embalado em sobreocupações turísticas sem cuidar de procurar outros rumos.

Mas também um Algarve que vai à luta. Dos algarvios que povoaram a Península de Setúbal quando nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado partiram em busca de uma vida melhor. Dos algarvios que agora encontramos de Londres a Berlim nas mais diversas ocupações.

Mas também dos algarvios que ficam, que são empreendedores e que querem desenvolver a sua terra.

De Taifa de Silves a Allgarve a região poderá ser muito mais que praia, D. Rodrigos e festas fashion de verão.

D’ aquém e d’ além mar, o Algarve pode ser turismo, diversão, pescas, aquacultura, história, marinas, gastronomia, portos, energia, cruzeiros...

O Algarve de longo passado marítimo pode e deve ser futuro num Mar de sucesso.

Ana Paula Vitorino

Diretora

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