Estudo de Caso

Transporte Marítimo: que futuro em Portugal?

Realizar um cruzeiro marítimo é actualmente o tipo de viagem onde a comodidade, o descanso, o relaxamento e a vida social são muito mais desenvolvidos do que em qualquer outro tipo de férias. O navio de cruzeiro é muito mais do que um transporte turístico, é uma cidade flutuante onde existe alojamento, alimentação, entretenimento, actividades de lazer e animação, manutenção e segurança constante.

O número crescente de cruzeiristas no nosso país e em todo o Mundo revela que o sector continua forte e que as pessoas têm curiosidade e reconhecem as vantagens quando optam por um cruzeiro na hora de marcar férias. A construção de navios maiores, com mais e melhores instalações, maior variedade e com serviços de qualidade superior, alterou o panorama dos cruzeiros que hoje têm bastante procura por parte das famílias e jovens que reconhecem o verdadeiro “Value for Money” deste produto. Num cruzeiro é possível conhecer vários destinos numa só viagem e aproveitar ao mesmo tempo todas as vantagens de uma verdadeira cidade flutuante.

A MSC Cruzeiros tem apresentado um crescimento muito rápido e tem introduzido navios de grande porte no mercado quase todos os anos, o que tem despertado a curiosidade dos passageiros pela companhia. Os nossos navios formam a frota mais moderna do mundo e acrescentam experiências de grande valor às escalas do itinerário que percorrem e isso é um factor muito importante no momento de escolha por este tipo de viagem. Além disso, a aposta na presença dos nossos navios em portos nacionais tem sido uma constante desde 2010, o que tem atraído cada vez mais portugueses para a companhia.

Portugal vai continuar a ser um dos mercados chave para a realização dos cruzeiros MSC. Durante o ano de 2013 a companhia vai ter, no total, 50 escalas de navios nos portos nacionais de Lisboa, Funchal e Ponta Delgada. No total são mais de 140.000 passageiros trazidos só pelos navios da MSC Cruzeiros e mais de 50.000 tripulantes durante o ano de 2013. Segundo o European Cruise Council, os tripulantes gastam em média €21 em cada porto, o que representa mais de 850.000 euros em 2013 e cada passageiro gasta em média €60, o que representa mais de 8 milhões de euros para o comércio e os diversos serviços ligados ao turismo da região.

MSC Cruzeiros – uma companhia de sucesso em Portugal desde 2010

A Mediterranean Shipping Company (MSC) foi fundada pelo lendário Gianluigi Aponte, um jovem marinheiro italiano e ex-caixa de um banco, que teve a coragem, visão e sabedoria para adquirir o seu primeiro navio, o Patricia, em 1970. Um ano depois, adquiriu um navio ainda maior, o Rafaela, assim chamado em honra da sua mulher. O porta-contentores Ilse foi comprado em 1973.

Estes três navios de carga representaram o princípio pioneiro da linha transportadora da MSC, que inicialmente começou a operar no Mediterrâneo, África Oriental e Mar Vermelho, e que rapidamente se expandiu para a América do Norte e Austrália no final da década de 80. Primeiro com sede em Bruxelas, Bélgica, durante oito anos, e depois em Genebra, Suíça, a MSC permanece como um negócio familiar, apesar do incrível crescimento ao longo dos últimos 40 anos. A MSC é actualmente a segunda maior transportadora de contentores do mundo com 450 navios de carga, servindo 335 portos e com 500 escritórios locais.

A MSC anunciou a sua entrada no mercado dos navios de cruzeiros marítimos no final da década de 80, com o icónico cruzeiro Monterey, posteriormente vendido a diferentes proprietários. De seguida, e em honra do seu mentor – o magnata italiano Achille Lauro –, Aponte assumiu o controlo das estruturas de cruzeiro Lauro. A MSC Cruzeiros estabeleceu-se como uma subsidiária do Grupo MSC quando dois novos navios, o Rhapsody e o Melody, foram adicionados à frota.

Após vários anos de crescimento sem precedentes e de um plano de investimento de 6 biliões de euros (2003-2013), com início em 2003, a MSC Cruzeiros emergiu como uma jovem empresa líder no mercado de cruzeiros a nível mundial – hoje, a MSC Cruzeiros é o 3° maior grupo de cruzeiros mundial (1° privado), tendo apresentado uma capacidade de crescimento de 800% em dez anos.

Actualmente, a MSC Cruzeiros é líder de mercado no Mediterrâneo, África do Sul e Brasil. A MSC Cruzeiros navega durante todo o ano no Mediterrâneo e oferece uma vasta gama de itinerários no Norte da Europa, no Oceano Atlântico, nas Caraíbas, nas Antilhas Francesas, América do Sul, Sul e costa oeste de África e Mar Vermelho, contabilizando 188 portos, 153 itinerários e 3572 escalas.

Os 11 navios (12 com a chegada do MSC Preziosa em Março de 2013), que formam a sua frota ultra-moderna, vão transportar em 2012 mais de 1.4 milhões de passageiros. A MSC Cruzeiros é uma empresa europeia privada, que emprega uma equipa de 15.500 empregados (a bordo e em terra) e está presente em 45 países.

Em Portugal, a MSC Cruzeiros abriu escritório em Janeiro de 2010, ano em que registou cerca de 8.000 passageiros em Portugal, apresentando um balanço positivo do seu início de actividade no mercado nacional. Durante 2011, a MSC Cruzeiros apresentou um crescimento de cerca de 4% em relação a 2010, com o número de passageiros portugueses a aumentar para mais de 8.300. Os passageiros que embarcam em Lisboa e no Funchal, corresponderam a mais de 1/3 dos passageiros a viajar com a MSC Cruzeiros em Portugal. Em 2012, a MSC Cruzeiros em Portugal apresentou um crescimento de 14% em relação a 2011, com o número de passageiros portugueses a aumentar para 9462.

Com a chegada do MSC Preziosa, que visitará Lisboa no dia 16 de Março de 2013, antes do seu baptismo a 23 de Março, em Génova, Itália, a companhia conclui o seu plano de investimento de 6 biliões de euros. A MSC Cruzeiros espera agora alcançar 1.6 milhões de passageiros no mundo inteiro, aumentando em 15% a sua capacidade de alojamento.

O despertar para a realização de um cruzeiro

Efectivamente, não só em Portugal como na Europa, o sector dos cruzeiros está a despertar cada vez mais interesse e curiosidade e o número de cruzeiros e de cruzeiristas continua a aumentar. De acordo com dados do Conselho de Cruzeiros Europeu (ECC), a indústria de cruzeiros europeia continua a crescer apesar do arrefecimento económico global, tendo a contribuição total da indústria alcançado um novo recorde de 36,7 mil milhões em 2011, acima dos 35,2 mil milhões em 2010.

A Europa é actualmente um dos principais destinos para os cruzeiros de passageiros. Cerca de 5,6 milhões de passageiros embarcaram num cruzeiro a partir de um porto europeu no ano passado, um aumento de 7,1% em relação a 2010. A indústria gerou 315 mil postos de trabalho, acima dos 308 mil registados no ano anterior.

São números de facto impressionantes e que nos levam a pensar que o número de pessoas que escolhem os cruzeiros para passar as suas férias continua e vai continuar a aumentar. Por isso mesmo, Portugal, que é o 12.º país europeu com mais impacto directo da indústria dos cruzeiros: 195 milhões de euros em 2011, deve continuar a apostar no sector e em receber cada vez mais e melhor os cruzeiristas. Estes são excelentes prescritores do nosso país, e as nossas cidades que recebem diariamente cruzeiristas de todo o mundo, devem ter a capacidade de surpreender, seduzir e desafiar a voltar novamente, para conhecer profundamente a gastronomia, a história e a cultura deste país.

Segundo o relatório da ECC de 2011, Portugal foi o sexto destino europeu mais visitado por passageiros de cruzeiros. O nosso país foi visitado por 3,8% do total de passageiros europeus de cruzeiros, tendo o número de passageiros europeus que passaram pelos portos portugueses somado 1,069 milhões.

Para conseguirmos que estes números continuem a surpreender, é necessário tornar os portos portugueses num verdadeiro destino. É necessário trabalhar para ter condições marítimas para aumentar o tráfego, melhorar as infra-estruturas e criar parcerias estratégicas que permitam ao nosso país crescer e receber cada vez mais e maiores navios em todos os seus portos de escala.

É necessário colocarmo-nos no lugar do passageiro e pensar quais são as suas principais preocupações quando chega um novo porto:

-          Quando tempo demora a deslocação do local onde são deixados, até ao navio?

-          Qual a facilidade de mobilidade dentro do terminal?

-          Terão de esperar numa fila? Quanto tempo?

-          Haverá espaço suficiente no terminal? Estará quente/frio?

-          Que tipo de espaços públicos pode encontrar? Casas-de-banho, bar?

-          A sinalização para chegar até ao navio é clara e suficiente?

-          O ambiente do terminal é agradável? A viagem começa com uma experiência positiva ao embarcar naquele terminal?

Depois, devemos também focar-nos na perspectiva do operador de cruzeiros:

-          Quanto irá custar a utilização do terminal?

-          Será suficientemente eficiente para permitir ao navio cumprir os horários de entrada/saída?

-          O staff do terminal será suficiente e competente para garantir uma operação com normalidade num período de turnarround?

-          Qual será a opinião dos passageiros da sua experiência no terminal?

-          O terminal é seguro?

-          A operação do terminal é flexível o suficiente para enfrentar com sucesso algum tipo de situações inesperadas e emergências?

E no final, em que aspectos operador do terminal tende a focar-se:

-          Manter-se competitivo;

-          Atrair novos negócios e fidelizar os clientes existentes;

-          Melhorar os resultados e maximizar volumes operados pelo terminal;

-          Manter um ambiente seguro;

-          Melhorar a eficiência do terminal, a produtividade e a simpatia do “staff” do terminal;

-          Maximizar os lucros e minimizar os custos.

Sem dúvida, que mais uma vez, os portugueses têm de se virar para o mar e têm de ter a capacidade de trabalhar bem este recurso. É importante realçar o forte e meritório investimento já realizado nos portos portugueses nos últimos anos. Todas as infra-estruturas portuárias nacionais devem possuir uma qualidade inatacável e todos os esforços futuros devem ser feitos de modo a estabelecer
os portos nacionais como grandes “homeports” (portos base).

Este é um investimento com retorno. Tornando estes portos em principais pontos de embarque e desembarque, em verdadeiros destinos, vamos produzir um impacto significativo na indústria de turismo em Portugal. Depois de descobrirem todas as atracções que Portugal tem para oferecer a partir de navios de cruzeiro, os visitantes vão voltar, como geralmente sempre fazem.

Para isso é também muito importante o envolvimento dos passageiros na região, por exemplo, com a animação típica à chegada dos navios de cruzeiros, pois a experiência pessoal do passageiro durante a estadia deverá ser o mais positiva possível e todos estes factores são mais-valias. É também importante envolver o mercado hoteleiro com os passageiros de cruzeiro, pois ao contrário do que inicialmente se possa pensar, os cruzeiros não são concorrenciais à hotelaria. Se a região despertar positivamente a atenção do passageiro de cruzeiro, vai haver uma grande apetência para voltar mais tarde para férias a essa cidade, pois só houve oportunidade de visitar um pouco da região durante a escala.

Portugal tem um potencial enorme para este sector, quer pela sua localização privilegiada a caminho do Mediterrâneo, quer pelos seus clima, cultura e valor histórico. No entanto, devemos elevar ainda mais a nossa fasquia de exigência, combater os pontos fracos e estar atento às tendências do mercado. Temos de aproveitar a onda positiva que tem vindo a envolver os cruzeiros a nível europeu e fazer apostas cruciais no nosso país para promover a economia do mar, que desde tão cedo os foi explorada pelos nossos antepassados.

Tendências de Mercado

De ano para ano, as frotas de navios de cruzeiro aumentam e modernizam-se e a oferta de destinos e escalas diversificam-se para atender a um público cada vez maior, mais variado e mais exigente. É por tudo isso, que a actividade de Cruzeiros Marítimos cresce no mundo inteiro a um ritmo acelerado. Para o futuro, podemos detectar algumas tendências no que diz respeito ao sector dos cruzeiros que devem ser seguidas de perto, quer pelas companhias, quer pelos países receptores de cruzeiristas.

Expansão no número de navios e companhias existentes:

-          Mais navios cruzeiro, com mais capacidade (os navios são em si mesmo um destino);

-          Mais renovações de antigos navios.

Mudanças nos mercados alvo e no produto cruzeiros:

-          Novos tipos de produtos, para atender a necessidades de outros segmentos;

-          Mais ofertas focadas em produtos de luxo e segmentos específicos;

-          Aposta em novas rotas, itinerários e destinos alternativos, que seduzam os passageiros e que os levem a escolher novamente o cruzeiro como modo de descobrir novas terras, cidades e costumes;

-          Aposta também nas excursões culturais em locais de sonho - fazer um cruzeiro contribui para o enriquecimento cultural, por ser possível visitar vários destinos numa só viagem;

-          Aposta nos cruzeiros temáticos;

-          Procura crescente na área da gastronomia e bem-estar;

-          Procura caracterizada por cruzeiros de curta duração, no máximo uma semana, pois é a forma ideal para se experimentar um cruzeiro pela primeira vez. Actualmente as pessoas cada vez têm menos tempo livre – é mais fácil para uma família ou um casal tirar no máximo uma semana de férias do que períodos mais longos. Crescente preferência pela diversidade de experiências num menor espaço de tempo.

-          Crescente importância do capital humano/atendimento como elemento diferenciador;

-          Aposta num serviço personalizado;

-          Aumento das qualificações do “staff”.

Aposta no turismo sustentável:

-          Crescente preocupação com o ambiente e sustentabilidade;

-          Maior consciencialização do turista para as questões ambientais;

-          Reduzir, reciclar, reutilizar - as companhias estão mais atentas a investimentos que permitam tornar-se companhias mais “verdes”;

-          Adopção de boas práticas ambientais para diminuir os gastos energéticos e minimizar o impacto na natureza.

Todo o sector dos cruzeiros tem vindo a fazer apostas neste sentido, de seguir as tendências do mercado e continuar a crescer e a atingir cada vez mais passageiros e a corresponder às suas expectativas a todos os níveis. Ao nível do turismo sustentável, a MSC Cruzeiros é uma companhia pioneira na tecnologia amiga do ambiente, desde revestimentos de casco ecológicos a avançados sistemas de reciclagem. As preocupações ambientais fazem desde sempre parte da política da MSC Cruzeiros, que teve a honra de ser a primeira companhia a receber as prestigiadas “6 Golden Pearls”, atribuídas pela sociedade de classificação internacional Bureau Veritas. A classificação “6 Golden Pearls” é um esquema voluntário integrado único, que compreende certificação para os sistemas de tratamento avançado do ar, água e desperdícios, certificação para a gestão ambiental, segurança alimentar e segurança e saúde a bordo.

Consideramos que actualmente os clientes estão cada vez mais informados e mais conscientes de todas as questões que envolvem fazer um cruzeiro. Dão maior importância à forma como as companhias lidam com o ambiente, estando atentos às certificações e prémios que recebem nestas categorias.

Esta é uma parte muito importante da experiência vivida a bordo de um navio de Cruzeiro. Fazer um cruzeiro difere de qualquer outro tipo de viagem, sendo necessário detectar alguns elementos diferenciais que devem estar presentes e que podem facilitar ou dificultar a experiência em si, sendo necessário, portanto, identificar os elementos, e saber como utilizá-los para tornar a viagem mais proveitosa e inesquecível para o cruzeirista.

Um cruzeiro afirma-se como uma experiência repleta de experiências, pelo que tudo o que o cruzeiro oferece tem de ser de grande qualidade. Um passageiro que realiza uma viagem deste género pode usufruir de vários produtos e serviços num determinado espaço, durante um determinado período de tempo. A principal preocupação passa por garantir que todas essas experiências sejam positivas e memoráveis, para que o cliente aproveite ao máximo a sua viagem e tenha vontade de repetir a experiência, seja a bordo, seja em terra.

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